Crise do Ueno Bank: diretores com carreira no Brasil presos por fraudes no Paraguai
Investigação no Paraguai revela envolvimento de ex-profissionais de bancos brasileiros no fechamento do Ueno Bank por fraude.
Dois dos oito executivos presos por suspeitas de fraudes vinculadas ao Ueno Bank, instituição financeira que teve as atividades encerradas pelo Banco Central do Paraguai em 4 de novembro, têm trajetória profissional em bancos brasileiros. São eles Diego Duarte Schussmuller e Alejandro Gómez, ambos directores administrativos do Ueno Bank no Paraguai.
O fechamento do Ueno Bank foi decretado após o índice de solvência do banco cair para 5,56%, menos da metade do mínimo exigido no país, que é de 12%. A crise provocou repercussão política, culminando com a renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, que foi investidor da holding do banco até março de 2025.
Schussmuller, que também prestou serviços ao Banco Central do Paraguai, ocupou cargos executivos em instituições financeiras do Brasil e do Paraguai, incluindo o Citibank no Brasil, onde atuou como analista. Seu perfil destaca experiência em várias instituições e qualificações internacionais.
Já Alejandro Gómez trabalhou como diretor sênior de crédito no HSBC em São Paulo entre 2014 e 2015, gerenciando análise de crédito para grandes empresas brasileiras dos setores de petróleo, gás, mineração e energia elétrica, que juntos somam cerca de US$ 170 bilhões (cerca de R$ 844,1 bilhões, na cotação de 05/11) em dívidas. Antes do HSBC, atuou na agência de classificação Standard & Poor’s, também em São Paulo, com foco em clientes dos setores de mineração e papel e celulose, incluindo nomes como CSN e Suzano.
Além dos dois, outras autoridades ligadas ao Ueno Bank foram presas preventivamente pelo juiz Rodrigo Estigarribia, especializado em crimes econômicos. Entre os detidos estão o presidente do banco, Juan Manuel Gustale Cardoni, o fundador e primeiro vice-presidente Federico Miguel Vázquez Villasanti, e a segunda vice-presidente Diana Leticia Mongelós González.
O fechamento do Ueno Bank e as prisões dos executivos ocorreram em meio a denúncias de fraude, incluindo a simulação de venda de carteira com recursos próprios da instituição. Essas medidas visam investigar e coibir irregularidades no setor financeiro do Paraguai, que vêm desencadeando protestos e pedidos de impeachment contra o presidente Santiago Peña.
Entenda:
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