Crise do Ueno Bank no Paraguai revela fragilidades da economia apesar do crescimento
Crise no Ueno Bank destaca limites do crescimento econômico diante de problemas institucionais e baixa diversificação no Paraguai.
A crise no Ueno Bank, instituição financeira paraguaia de rápida expansão, evidencia as contradições do modelo econômico do Paraguai em meio a um cenário de crescimento e fragilidades estruturais. O banco, que chegou a ultrapassar 3 milhões de clientes em um país de pouco mais de 7 milhões de habitantes, acumulava também a gestão de recursos públicos, como os da previdência social, e era responsável por pagamentos a aposentados.
Apesar do vigor do crescimento econômico — com avanços de 6,6% em 2025 e projeção de 4,7% para 2026 — e a inserção comercial ampliada em acordos como o Mercosul-União Europeia, persistem fortes desafios estruturais. Entre eles, destacam-se a baixa diversificação da produção, concentração econômica e infraestrutura insuficiente.
O mercado de trabalho mostra altos níveis de informalidade: em 2025, 60,1% dos trabalhadores atuavam de forma informal e entre os jovens de 15 a 19 anos esse índice chegava a 89,4%, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística.
Além disso, a chamada política tributária "triple 10", que fixa três dos principais tributos no teto de 10%, combinada à alta evasão fiscal, limita a capacidade do Estado de financiar e implementar políticas públicas efetivas para o desenvolvimento.
A persistência de uma estrutura política centralizada no Partido Colorado, herdada da ditadura encerrada em 1989, enfraquece ainda mais as instituições e dificulta a implementação de ações para superar essas vulnerabilidades econômicas e sociais.
Na arena internacional, o Paraguai enfrenta desafios para diversificar suas exportações e aproveitar oportunidades comerciais, especialmente devido à sua inserção dependente no Mercosul e a barreiras técnicas e sanitárias impostas por parceiros, como a União Europeia.
Essas limitações ficaram evidentes na baixa utilização do Sistema Geral de Preferência Plus (SGP+), que oferece melhores condições tarifárias para países em desenvolvimento, e nas dificuldades em traduzir acordos comerciais em crescimento sustentável com geração de empregos e valor agregado.
A crise do Ueno Bank simboliza o impasse entre a modernização pontual e o avanço econômico com a necessidade de instituições mais sólidas e políticas públicas robustas. O modelo atual mostra que o crescimento econômico deve vir acompanhado de estabilidade democrática, fortalecimento institucional e capacidade estatal para superar os gargalos estruturais e conduzir o desenvolvimento do Paraguai.
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