Vale Base Metals projeta dobrar produção anual de cobre e foca recuperação no mercado de níquel
Vale Base Metals planeja crescer produção de cobre para 700 mil toneladas e já recupera competitividade no setor de níquel após reestruturação.
A Vale Base Metals (VBM) projeta ampliar sua produção anual de cobre de cerca de 350 mil para 700 mil toneladas, comparando com os volumes registrados em 2024. Essa estratégia envolve expansão das operações em atividade, maior investimento em exploração mineral e melhoria da produtividade, destacando-se num cenário global com restrição na oferta do metal.
O anúncio foi feito por Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals, em entrevista concedida durante o FT Metals & Mining Summit 2026, em Londres. Segundo Usmar, a companhia pretende intensificar a exploração dos recursos das operações existentes, sobretudo as situadas no Brasil, sem depender exclusivamente da construção de novas minas, processo atualmente mais complexo e demorado.
Exploração mineral ganha força especialmente no Pará
Com o objetivo de ampliar o conhecimento geológico e identificar novas oportunidades próximas das operações ativas, a empresa aumentou em quase 500% a atividade de sondagem no Pará nos últimos dois anos. Usmar destacou o avanço no aumento de reservas e recursos minerais, cuja meta é crescer mais de 20% entre 2024 e 2027.
Além disso, o crescimento da produção dependerá de melhorias operacionais nas minas de Salobo e Sossego. Em Salobo, principal mina de cobre e ouro da empresa, houve avanço na confiabilidade operacional, com recordes de produção no período. Em Sossego, a Vale reduziu custos e ampliou a vida útil da mina, o que contribui para acelerar o portfólio de crescimento da companhia.
Recuperação do níquel e melhorias em competitividade
No mercado de níquel, que sofre pressão da expansão de produção de baixo custo na Indonésia, a Vale Base Metals optou por focar na recuperação da competitividade mediante redução de custos, reorganização dos ativos e melhor aproveitamento da infraestrutura. Antes operando no vermelho com perdas próximas de US$ 1 bilhão por ano, o setor de níquel da empresa passou a apresentar resultados positivos e caminha para equilíbrio do fluxo de caixa ainda em 2026.
Usmar mencionou que unidades de beneficiamento em Sudbury (Canadá) atingiram seu maior volume processado desde 2016, e que a capacidade de processamento foi ampliada em Clarabelle. No Brasil, a mina Onça Puma aumentou produção com a entrada em operação do segundo forno, quase dobrando sua capacidade anterior.
Portfólio estratégico e metas financeiras
A Vale Base Metals também vem reorganizando seu portfólio para ampliar investimentos nos ativos mais competitivos, como evidenciado na conclusão da transação das operações de Thompson, no Canadá, com a Vale mantendo participação minoritária. Atualmente, cerca de metade da receita da empresa provém do níquel e o restante do cobre, com produção também de cobalto e metais do grupo da platina.
Em termos financeiros, a companhia revisou suas projeções operacionais para aumentar volumes e reduzir custos, mesmo diante da inflação. A expectativa é gerar mais de US$ 1 bilhão em fluxo de caixa livre em 2026, com EBITDA entre US$ 4,5 e 5 bilhões. A melhora da situação financeira reduz a necessidade de abertura de capital, embora a empresa esteja preparada para essa possibilidade caso os acionistas decidam pelo IPO.
Desafios e futuro da oferta mineral
Usmar ressaltou que a ampliação da oferta global dependerá não só de investimentos, mas também de maior colaboração entre empresas, governos e outros atores. O desenvolvimento de uma nova mina de cobre pode levar até 20 anos e requer esforços para agilizar processos de licenciamento, além de investimentos em infraestrutura e qualificação profissional.
O executivo alertou para uma lacuna geracional de profissionais especialistas e destacou a necessidade de políticas de longo prazo para ampliar capacidade de processamento e refino fora da China, evitando dependência excessiva e buscando competitividade com sustentabilidade ambiental e social.
Importância estratégica do níquel de alta pureza
A Vale Base Metals destaca sua posição de fornecedora de mais de 60% do níquel de alta pureza para setores aeroespacial e de defesa dos Estados Unidos, ressaltando a necessidade de cadeias de fornecimento confiáveis construídas ao longo do tempo para garantir segurança no abastecimento desses minerais estratégicos.