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Azul antecipa ritmo mais lento na recuperação devido à alta dos custos de combustível

Alta nos preços do combustível de aviação pressiona margens e atrasa recuperação da Azul, que mantém estratégia de crescimento cauteloso.

20/10/2026 às 07h37

A companhia aérea brasileira Azul prevê que sua recuperação econômica levará mais tempo do que o inicialmente esperado devido à persistente pressão dos altos custos do combustível de aviação. A previsão foi apresentada pelo diretor financeiro da empresa, Antonio Carlos Garcia, em entrevista concedida à Reuters na noite de segunda-feira (19), durante uma conferência organizada pela Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe, realizada na Cidade do México.

Segundo Garcia, apesar da Azul ter saído do processo de recuperação judicial previsto pelo Chapter 11 em fevereiro deste ano, os preços elevados do combustível continuam comprimindo as margens operacionais da companhia. “Vemos uma recuperação em um estágio mais tardio do que antes”, afirmou o executivo, indicando que o cronograma de recuperação pode atrasar um ano ou mais caso os valores do combustível permaneçam altos.

Em função do cenário, a Azul adotou uma estratégia cautelosa, mantendo um plano de crescimento moderado. A empresa espera fechar 2026 com uma capacidade operacional aproximadamente 5% inferior em relação a 2025, uma redução já planejada antes do recente aumento nos preços do combustível. No segundo trimestre deste ano, a capacidade foi reduzida em mais de 10% na comparação anual, medida adotada em resposta aos custos elevados.

Leia também: Goldman Sachs inicia cobertura da Azul com preço-alvo que indica alta de 23% e recomendação neutra

Garcia acrescentou que a Azul já iniciou um restabelecimento gradual de algumas frequências e retornou aeronaves que estavam fora de operação para o serviço ativo, mas ressaltou que essas medidas não configuram uma expansão agressiva. Ainda, a companhia conseguiu repassar entre 60% e 65% dos aumentos nos custos do combustível aos consumidores por meio dos reajustes nas tarifas.

A recuperação financeira da Azul também foi notada pelo executivo: a dívida total da empresa foi reduzida para R$21,4 bilhões, conforme informado em agosto, e a geração operacional de fluxo de caixa livre está próxima de alcançar resultado positivo. Contudo, a geração de caixa ainda sofre impacto de pagamentos relacionados à reestruturação judicial, tanto anteriores quanto posteriores ao processo do Chapter 11.

Além do transporte de passageiros, a Azul está expandindo atividades em outras áreas do negócio, como o programa de fidelidade, serviços de viagem, operações de carga e manutenção. Essa diversificação também faz parte da estratégia para mitigar os efeitos negativos dos custos elevados.

Sobre rumores de possíveis movimentos de consolidação no setor aéreo latino-americano, Garcia destacou que a empresa está focada na reestruturação interna e não avaliando potenciais acordos neste momento. Em 2025, as negociações para fusão entre Azul e a Gol — controladora da concorrente Gol — foram abandonadas, embora a possibilidade de retomar as discussões no futuro tenha sido deixada em aberto.

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