Pular para o conteúdo
Empresas

Setor de saúde projeta resultados mistos para o terceiro trimestre de 2026, apontam análises

Análises divergem entre expectativa de melhora operacional e trimestre mais moderado para empresas de saúde no 3T26.

19/10/2026 às 09h08

O setor de saúde deve apresentar resultados mistos no terceiro trimestre de 2026, conforme apontam análises recentes de instituições financeiras. As perspectivas divergem entre uma melhora operacional e uma desaceleração em alguns segmentos, refletindo um cenário de expectativas divididas para empresas do setor.

De acordo com analistas da XP Investimentos, o trimestre está previsto para ser mais um de resultados robustos para as operadoras de saúde, que devem se beneficiar da melhora na sinistralidade, associada a uma sazonalidade favorável e a um momento operacional sólido.

Por outro lado, o BTG Pactual projeta um desempenho mais moderado para o período, com desaceleração no crescimento da receita e limitações para expansão de margem, principalmente para as companhias de maior porte. O banco ressalta que essa perspectiva leva em conta a base de comparação exigente do terceiro trimestre de 2025, sem indicar uma deterioração ampla nas tendências operacionais.

Leia também: Anvisa determina apreensão de lote falsificado do medicamento Dysport

Previsões para empresas específicas

Tanto XP quanto BTG concordam que Fleury (FLRY3) e Mater Dei (MATD3) devem apresentar crescimento sólido no trimestre. No segmento de prestadores de serviços, o diagnóstico lidera como destaque, com o Fleury projetando alta de receita de 13,4% em relação ao ano anterior pela XP Investimentos, e crescimento próximo de dois dígitos estimado pelo BTG, impulsionado pela demanda consistente no mercado B2C.

O BTG destaca ainda que este será o primeiro trimestre completo com contribuição da aquisição da Femme para os resultados do Fleury. Para a Mater Dei, a continuidade do bom desempenho recente é esperada, sustentada pela maior complexidade dos atendimentos e pelo crescimento do ticket médio.

Os analistas também apontam para uma migração crescente para procedimentos de maior complexidade, que contribui para o aumento das receitas das operadoras.

Beneficiários e sinistralidade

Quanto à base de beneficiários, dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam 109 mil adições líquidas em julho e agosto deste ano. Entre as companhias, Bradsaúde acumulou acréscimo de 67 mil beneficiários, e SulAmérica, ligada à Rede D’Or, somou 45 mil; enquanto a Hapvida apresentou uma redução de 88 mil vidas, atribuída em parte à revisão de contratos não rentáveis, segundo o BTG.

As tendências de sinistralidade também devem variar. Espera-se que a SulAmérica registre uma melhora, ainda que moderada após desempenho forte em trimestres anteriores. Em contraste, a Bradsaúde está projetada para apresentar aumento da sinistralidade, cerca de 140 pontos-base superior ao 3º trimestre de 2025, reflexo de distorções sazonais que devem se ajustar no último trimestre do ano.

Setor farmacêutico e resultado operacional

Para o segmento farmacêutico, os resultados indicam uma performance mista. A Blau (BLAU3) deve apresentar melhora operacional, enquanto a Hypera (HYPE3) enfrenta pressões sobre seu portfólio atual. Analistas do BTG apontam que uma temporada de gripe mais fraca reduzirá o crescimento de sell-out dos produtos tradicionais da Hypera. A receita inicial do Semavy, medicamento GLP-1 da companhia, embora positiva, deve chegar com margens mais baixas, limitando o aumento do Ebitda.

📰 Veja também