Pular para o conteúdo
Empresas

Qualidade de vida supera carreira como principal motivo para permanência no emprego, aponta GPTW

Pesquisa do Great Place To Work revela que 37% dos profissionais priorizam qualidade de vida ao escolher permanecer no emprego.

17/10/2026 às 07h09

O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal tornou-se o principal motivo para os profissionais permanecerem em seus empregos, superando as oportunidades de crescimento na carreira após duas décadas. É o que revela o ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, divulgado pelo Great Place To Work (GPTW) na sua 30ª edição.

Segundo o levantamento, 37% dos funcionários das organizações premiadas apontaram a qualidade de vida como a razão mais relevante para continuar na empresa, enquanto 33% ainda valorizam as oportunidades de desenvolvimento profissional. Remuneração e benefícios aparecem em terceiro lugar, com 16%, seguidos pelo alinhamento de valores (9%) e a estabilidade no emprego (5%).

De acordo com o GPTW, essa mudança sinaliza uma transformação gradual nas prioridades dos trabalhadores e exige das empresas uma revisão das estratégias de gestão, priorizando a carga de trabalho adequada, flexibilidade, ambiente organizacional saudável e lideranças que equilibrem desempenho e bem-estar.

Leia também: Setor de panificação cresce no Rio de Janeiro, mas enfrenta falta de profissionais qualificados

Historicamente, em 2006, as oportunidades de crescimento profissional eram o principal motivador para 51% dos profissionais, contra 29% que valorizavam a qualidade de vida. Em 2018, essas porcentagens foram respectivamente 46% e 22%. Em 2025, a diferença diminuiu para 39% e 30%, e em 2026 a qualidade de vida ultrapassou a carreira, com 37% contra 33%.

Diferenças por idade e porte da empresa

A pesquisa também evidenciou distintas prioridades conforme a faixa etária dos profissionais. Entre os trabalhadores até 25 anos, metade ainda considera o crescimento profissional a razão principal para permanecer, enquanto 27% priorizam qualidade de vida. Por outro lado, na faixa de 35 a 44 anos, 40% escolhem qualidade de vida contra 29% para carreira, e entre os com 55 anos ou mais, 44% priorizam qualidade de vida, enquanto apenas 17% mencionam oportunidades de ascensão.

O porte da empresa também influencia as motivações. Em organizações médias, com 100 a 999 empregados, 43% dos funcionários destacam a qualidade de vida como principal motivo para ficar, ao passo que em grandes companhias, com mais de 10 mil colaboradores, o crescimento profissional predomina com 39%, enquanto a qualidade de vida cai para 27%.

Setores e desafios em diversidade

Nos setores de serviços financeiros e seguros, 44% dos profissionais identificam a qualidade de vida como motivo principal, seguidos por tecnologia da informação (43%). Já nos serviços profissionais e na engenharia, o crescimento profissional é a prioridade para 47% e 42% dos trabalhadores, respectivamente.

Embora as empresas reconhecidas apresentem avanços na participação feminina — que passou de 27% em 2000 para 44,5% em 2026 — a presença feminina diminui nos níveis hierárquicos mais elevados, com apenas 10% das mulheres ocupando cargos de CEO. A disparidade racial nas lideranças também persiste, apontando desafios atuais para as organizações na promoção da igualdade real no acesso a posições de poder.

Impactos financeiros e inovação

As 175 empresas premiadas registraram crescimento médio de 12,3% no faturamento em 2025, um desempenho que supera em cinco vezes a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no mesmo ano (2,3%).

Além disso, essas organizações apresentaram ambiente mais favorável para inovação: somente 31% dos funcionários delas relataram dificuldades para apresentar ideias, contra 66% nas empresas não premiadas. Cerca de 69% das organizações reconhecidas estão nos estágios funcional ou acelerado de inovação, enquanto apenas 6% das não premiadas atingem esse último estágio.

Conclusão

Ao completar 30 anos no Brasil, o ranking do GPTW revela uma mudança estrutural nas preferências dos trabalhadores. Crescer na carreira permanece importante, mas a qualidade de vida no trabalho tornou-se central para retenção e satisfação profissional. As empresas enfrentam o desafio de alinhar crescimento profissional, diversidade e bem-estar em um mercado cada vez mais competitivo.

📰 Veja também