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Indústria brasileira cobra dos candidatos política de Estado para reverter queda na produção e participação no PIB

Setor industrial apresenta demandas como plano de longo prazo, inovação, transição ecológica e segurança jurídica em debate eleitoral.

Da 15/10/2026 às 05h56

A produção industrial brasileira registrou queda de 1,2% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano anterior, com redução em doze dos dezoito locais pesquisados. Em meio ao debate eleitoral, o setor industrial tem intensificado a mobilização para incluir suas demandas prioritárias na agenda dos candidatos à Presidência da República.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), é fundamental a adoção de um plano de desenvolvimento de longo prazo que priorize o aumento da produtividade, a inserção internacional, a transição ecológica e a garantia de segurança jurídica para o setor. A entidade elaborou um documento direcionado aos candidatos que apresenta um diagnóstico detalhado da situação atual da indústria no país.

Desindustrialização prolongada e desafios produtivos

Avaliando o cenário, a CNI aponta que o Brasil passa por um processo precoce e prolongado de desindustrialização, agravado pela dificuldade em manter ganhos de produtividade e inovação. A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) encolheu de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025. Além disso, a produtividade total da indústria recuou 10,2% entre 2000 e 2024, em contraste com avanços significativos de países como Índia e México.

Leia também: Confiança da indústria sobe em outubro, mas setor segue pessimista

A perda do Brasil na complexidade econômica também é destacada, com o país caindo da 29ª para a 78ª posição no ranking global desde 1995. Apesar disso, a indústria segue respondendo por 47,5% das exportações brasileiras de bens e serviços, 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e 26,6% da arrecadação tributária federal.

A CNI reforça o potencial multiplicador da indústria, indicando que cada R$ 1 investido na manufatura gera R$ 2,69 na economia, superando valores gerados pelos setores agropecuário e de serviços.

Demandas fiscais e ajuste estrutural

No âmbito macroeconômico, a principal reivindicação do setor industrial é o controle rigoroso da trajetória da dívida pública aliado à requalificação das despesas estaduais. A CNI defende um plano plurianual de consolidação fiscal focado no corte de gastos e alerta para os riscos de medidas arrecadatórias de curto prazo que possam causar insegurança jurídica.

A pressão orçamentária provocada pela transição demográfica acelerada exige revisões em programas sociais, incluindo o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A entidade sugere desvincular o BPC do salário mínimo e incorporá-lo à previdência social como uma camada não contributiva, preservando incentivos à formalização no mercado de trabalho.

Alinhado a essas propostas, o empresariado pleiteia a unificação dos pisos constitucionais de saúde e educação em um único piso social, ampliando a flexibilidade para realocação de recursos conforme as demandas crescentes de saúde devido ao envelhecimento populacional.

Política industrial como política de Estado

A CNI defende que a política industrial seja elevada ao status de política de Estado, para protegê-la das oscilações políticas e garantir continuidade. Para isso, cobra a aprovação do Projeto de Lei nº 4.133/23, que determina a apresentação anual de uma política industrial, tecnológica e comercial, com governança centralizada.

Também é sugerida a utilização do poder de compra governamental para impulsionar soluções sustentáveis nacionais, superando o modelo baseado exclusivamente no menor preço.

Comércio exterior e soberania tecnológica

No plano externo, a indústria requer a modernização dos mecanismos de defesa comercial para combater práticas desleais e o excesso de capacidade produtiva mundial. Propostas incluem a criação de um Sistema Nacional de Monitoramento Estratégico das Importações e o fortalecimento do Departamento de Defesa Comercial (DECOM).

O setor pede aceleração nas negociações para ampliar acordos de livre comércio e a continuidade de financiamentos via BNDES Exim. Considerando a dependência em insumos fundamentais, como semicondutores, mais de 90% importados, a CNI propõe um Plano Nacional de Soberania Tecnológica. Entre os projetos está o ReData, que visa incentivar energia limpa e posicionar o Brasil como polo global sustentável em data centers e infraestrutura digital.

Educação e formação profissional

Para acompanhar o progresso tecnológico, empresas calculam a necessidade de requalificar cerca de 1,2 milhão de profissionais nas áreas de engenharia e tecnologia da informação. A indústria propõe modernizar licenciaturas, expandir a educação profissional e tecnológica focada em disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e consolidar o modelo dual de formação, que integra instituições educacionais e indústrias para maior empregabilidade.

Transição ecológica e economia circular

O setor encara a descarbonização global como oportunidade para atrair fábricas interessadas em energia limpa e barata, fenômeno conhecido como “powershoring”. Para isso, reivindica a consolidação de um marco regulatório estável e com segurança jurídica para o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), evitando desarmonias estaduais.

A agenda ambiental também inclui a institucionalização de uma Política Nacional de Economia Circular para reduzir desperdícios e otimizar a logística reversa com incentivos fiscais. Na bioeconomia, a urgência é acelerar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e adotar tolerância zero ao desmatamento ilegal, visando credibilidade e acesso internacional para produtos da biodiversidade brasileira.

Propostas dos principais candidatos

Nas plataformas eleitorais disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) destaca medidas que podem beneficiar a indústria, como desburocratização, reforma tributária para redução de impostos sobre produção, limitação da alíquota do IVA, barateamento da energia elétrica e do gás natural, além de estabilidade regulatória por até 20 anos para investimentos produtivos.

Também são prometidas ações para o processamento nacional de minerais críticos e alinhamento da pesquisa acadêmica às demandas da indústria.

Por sua vez, o Programa do Partido dos Trabalhadores (PT), para a reeleição do presidente Lula, enfatiza o fortalecimento do papel indutor do Estado e a transição ecológica. O documento cita o fortalecimento do programa Nova Indústria Brasil (NIB), do Plano Mais Produção, o uso do poder de compra governamental com exigências de conteúdo local, e o fomento a setores estratégicos como o Complexo Econômico e Industrial da Saúde e o setor naval.

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