Ministério Público de São Paulo apoia recuperação judicial do grupo Casas Bahia
MP-SP afirma que Casas Bahia cumpriu requisitos legais para recuperação judicial e confirmou funcionamento da maior parte das lojas.
O Ministério Público de São Paulo se posicionou favoravelmente à recuperação judicial do grupo Casas Bahia. Em manifestação enviada à Justiça paulista nesta quarta-feira (15), o órgão destacou que a varejista obedeceu aos requisitos legais para solicitar o benefício, além de ter comprovado atividade e viabilidade econômica suficientes para sua reestruturação.
Segundo o Ministério Público, a perícia realizada pela ACFB Administração Judicial corroborou a regularidade operacional do grupo e a consistência da narrativa apresentada pela empresa no pedido de recuperação.
Funcionamento das unidades e cumprimento legal
Como evidências do funcionamento ativo do grupo, foi verificado que 735 das 744 lojas físicas cadastradas estavam em operação, assim como 25 dos 29 centros de distribuição e a fábrica da Bartira, que integra o grupo na produção de móveis.
Além disso, o MP-SP confirmou que as dez empresas do grupo Casas Bahia atenderam integralmente às exigências do artigo 48 da Lei de Falências e Recuperações, que limita o pedido de recuperação judicial a companhias com ao menos dois anos de atividade, livres de falência e sem recuperação recente nos últimos cinco anos.
O Ministério Público ressaltou que também foram cumpridos os dispositivos legais referentes à ausência de condenações por crimes como fraude contra credores e à apresentação substancial de documentos necessários para o procedimento, conforme artigo 51 da lei.
Algumas pendências de caráter técnico, como a entrega de certidões e projeções contábeis individualizadas, foram apontadas e deverão ser corrigidas, mas o órgão enfatizou que tais questões não inviabilizam o processamento da recuperação, conforme entendimento recente do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Perícia constatou retração da atividade, mas confirmou operação
A perícia realizada entre o final de agosto e meados de setembro visitou todas as lojas e centros de distribuição do grupo. Foram detectadas lojas e centros sem sinais de operação em pequenos números, e dois endereços estavam ocupados por outras companhias. Contudo, a grande maioria das unidades estava funcional.
O laudo pericial ressaltou a plausibilidade da situação apresentada pela Casas Bahia, indicando elementos para análise do pedido, embora destacando divergências e pendências a serem esclarecidas durante o processo.
Próximos passos no processo judicial
O Ministério Público limitou sua manifestação à avaliação do atendimento dos requisitos formais e documentais que legitimam o processamento da recuperação judicial. A análise detalhada do plano de recuperação e das condições econômicas será realizada posteriormente, durante as negociações com os credores.
A decisão final sobre o deferimento do pedido caberá ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que deve se posicionar nas próximas semanas.