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Fundos de pensão devem atingir R$ 1,51 trilhão em patrimônio e rentabilidade de 14% até 2026

Patrimônio dos fundos de pensão pode crescer 82% em dez anos, chegando a R$ 1,51 trilhão com rentabilidade prevista superior à meta atuarial.

15/10/2026 às 11h01

Os fundos de pensão brasileiros, oficialmente chamados de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), projetam alcançar um patrimônio total acumulado de R$ 1,51 trilhão até o final de 2026, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

Este montante representaria um crescimento de 82% em uma década, considerando que, em junho de 2016, o patrimônio era de R$ 790 bilhões e, em junho de 2026, já chegou a R$ 1,438 trilhão, conforme apontou Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, em coletiva de imprensa realizada em 14 de outubro de 2026.

Rentabilidade e projeções para 2026

O setor espera um saldo positivo de R$ 33 bilhões para o ano de 2026, resultado fundamentado nos ganhos com investimentos que devem totalizar um superávit de R$ 52 bilhões, contrapondo os planos com rentabilidade abaixo do esperado, que acumulam um déficit de R$ 19 bilhões.

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A previsão considera uma rentabilidade média de 14% ao ano, valor que ultrapassa a meta atuarial estipulada em 12% ao ano, a qual representa o rendimento mínimo necessário para garantir o pagamento das aposentadorias futuras. Cenários alternativos apontam ganhos entre 11,70% (com sobra de R$ 28 bilhões) e 14,77% (com sobra de R$ 37 bilhões).

Composição dos investimentos

Do total de R$ 1,362 trilhão investidos no primeiro semestre de 2026, 86,1% estavam aplicados em renda fixa, equivalente a R$ 1,173 trilhão. Deste total, R$ 264,1 bilhões correspondem a títulos públicos e R$ 900,7 bilhões a fundos de investimento.

O percentual de investimentos em renda fixa cresceu significativamente desde 2021, quando era de 75,7%. Em paralelo, a participação em renda variável caiu para 6,7% (R$ 91,3 bilhões), sendo R$ 55,7 bilhões aplicados diretamente em ações, uma redução considerável desde 2021, quando essa fatia era de 15,8%.

Devanir Silva explicou que a elevação da taxa básica de juros no Brasil tornou os investimentos conservadores mais atraentes, reduzindo os incentivos a assumir riscos elevados em renda variável, sobretudo quando a rentabilidade real oferecida pela renda fixa supera a necessidade atuarial dos fundos.

Saúde financeira e solvência

Outro indicador positivo para o setor são os planos de Benefício Definido (BD), que atingiram índice de solvência de 102% em junho de 2026, indicando que os fundos possuem recursos superiores aos necessários para honrar seus compromissos futuros com os beneficiários.

De acordo com o presidente da Abrapp, esse índice coloca o sistema brasileiro de previdência complementar em posição de destaque global, ressaltando que todos os compromissos assumidos estão devidamente precificados e garantidos.

Perfil e benefícios

O sistema de fundos de pensão atende atualmente cerca de 8,4 milhões de pessoas, divididas entre 3,27 milhões de trabalhadores ativos, 4,21 milhões de dependentes e 873 mil assistidos que recebem benefícios. Entre os trabalhadores ativos, 63,56% são homens e 36,44% mulheres, com maior concentração na faixa etária de 35 a 54 anos.

Em 2025, o setor desembolsou R$ 82 bilhões em benefícios e mantém uma folha anual de pagamentos da ordem de R$ 120 bilhões, ou cerca de R$ 10 bilhões por mês.

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