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Fundos de infraestrutura enfrentam um dos piores meses e acumulam saídas líquidas em 2026

Em setembro, fundos de infraestrutura hedgeados registraram retornos negativos e saídas líquidas crescentes, refletindo aumento nos spreads das debêntures incentivadas.

Da 15/10/2026 às 06h01  ·  Atualizado em 15/10/2026 às 06h02

Os fundos de investimento em infraestrutura (FI-Infra) viveram em setembro de 2026 um dos meses mais desafiadores de sua história recente, conforme apontado por gestoras especializadas no segmento. Esse momento de queda e maior volatilidade surpreendeu investidores acostumados à estabilidade dessas aplicações, impulsionadas pela isenção de Imposto de Renda em debêntures incentivadas.

A Sparta, gestora do setor de crédito, destacou que os fundos hedgeados — que trocam a exposição à inflação pelo CDI para reduzir a volatilidade dos juros — sofreram perdas significativas no mês, com a maioria apresentando retorno negativo. Além disso, a mediana dos prêmios das debêntures incentivadas sobre os títulos públicos aumentou cerca de 0,40 ponto percentual em setembro, refletindo uma maior aversão ao risco.

Esse movimento afetou o fluxo financeiro dos fundos de infraestrutura. Segundo o Bradesco BBI, em setembro os FI-Infra tiveram saídas líquidas de R$ 3,6 bilhões, superando os R$ 2,6 bilhões de agosto. A categoria acumula, desde março, apenas resgates mensais, com um pico de R$ 11,6 bilhões registrado em maio. A redução do ritmo de captações e os retornos inferiores ao CDI pelo terceiro mês consecutivo refletem um cenário de cautela crescente no mercado.

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Fatores que influenciaram a queda

De acordo com análise da gestora ASA, cerca de 70% dos fundos que investem em debêntures incentivadas utilizam hedge para mitigar a exposição aos juros, tornando esses fundos mais semelhantes a produtos de renda fixa tradicionais, como LCI e LCA, para o investidor pessoa física. No entanto, o hedge não protege contra a oscilação dos spreads, que são o prêmio adicional pago pelas debêntures em relação aos títulos públicos.

Após a crise envolvendo a empresa Raízen, houve um movimento de redução do apetite por risco entre os investidores, causando essa abertura nos spreads. Paralelamente, uma postura mais conservadora dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), motivada por mudanças regulatórias que limitaram exposições a precatórios, resultou em menor demanda por crédito nas carteiras desses fundos.

Outro fator importante foi a queda dos juros reais dos títulos públicos após o primeiro turno das eleições, que pressionou os spreads para cima como forma de compensação pelo mercado, segundo especialistas. Em setembro, o spread das debêntures incentivadas com melhor rating (AAA) alcançou o maior nível desde o final de 2024, segundo dados do BBI.

Divergências entre fundos hedgeados e indexados à inflação

A Sparta indica que os fundos hedgeados podem enfrentar maiores pressões, uma vez que a queda dos juros reais exige desembolso adicional em derivativos, o que pode levar a vendas de debêntures em um mercado já pressionado. Por outro lado, os fundos de infraestrutura vinculados à inflação, sem hedge, tiveram performance positiva em setembro, beneficiados pela valorização das NTN-Bs (Tesouro IPCA+).

Como exemplo, o fundo FI-Infra de inflação da Sparta valorizou 1,1% em setembro, enquanto seu equivalente hedgeado recuou 0,2%, o que faz com que a gestora prefira atualmente estratégias atreladas à inflação.

Perspectivas e recomendações dos gestores

Segundo a gerente da ASA, Thais Prado, a situação do mercado ainda inspira cautela, com expectativa de continuidade nas saídas de recursos. Ela aponta que os fundos carregam retorno próximo a 93% do CDI, o que não é atrativo frente a outras opções isentas, como LCI e LCA, que podem oferecer rendimentos maiores.

A gestora da Sparta reforça que a recente correção nos preços abriu oportunidades de investimento, embora prefira preservar caixa para evitar vendas forçadas caso os resgates aumentem. Já a Vinland considera que não houve deterioração no crédito que justifique as quedas observadas e vê como janela de entrada o nível elevado dos prêmios em comparação a 2024.

De forma geral, o equilíbrio do mercado dependerá do interesse de fundos de crédito não isentos e das tesourarias bancárias, uma vez que a participação da pessoa física, embora significativa, não é suficiente para reverter o cenário atual.

Desempenho dos principais fundos em setembro e no acumulado de 2026

Os fundos de infraestrutura listados na B3, que são fechados e não sofrem resgate imediato, também sentem o impacto da marcação a mercado. Entre eles, o fundo JURO11, da Sparta, distribuiu R$ 1,00 por cota em agosto e anunciou R$ 0,75 por cota em setembro, refletindo a volatilidade recente.

Os dados apontam para uma pressão generalizada no segmento, mas alguns fundos indexados à inflação demonstram resiliência diante da atual conjuntura.

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