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Empresas

Consumidores chineses consideram grifes ocidentais ultrapassadas e preferem marcas locais mais acessíveis

Com a economia chinesa fragilizada, compradores migram do luxo ocidental para produtos nacionais e de segunda mão.

18/10/2026 às 12h02

Xangai, China – Diante da fragilidade econômica que ainda persiste após a pandemia, consumidores chineses têm alterado significativamente seus hábitos de consumo no mercado de luxo. De acordo com levantamento da consultoria Bain & Company, o mercado de luxo pessoal na China continental encolheu mais 3% a 5% em 2025, após uma queda de até 19% em 2024.

Marcas tradicionais de luxo ocidentais, como LVMH e Hermès, que antes respondiam por cerca de um terço dos gastos mundiais do setor, sentem os efeitos desse aperto nos gastos. A LVMH, por exemplo, fechou cinco lojas na China continental nos últimos dois anos, incluindo uma boutique de chocolates, e as Galeries Lafayette encerraram sua principal unidade em Pequim em maio.

A mudança de perfil do consumidor é evidente no aumento do mercado de luxo de segunda mão, que cresceu entre 15% e 20% em 2025, segundo a mesma consultoria. Estima-se que as vendas totais desse segmento atingiram 38,4 bilhões de iuanes (R$ 29 bilhões) em 2025, com expectativa de ultrapassar 100 bilhões de iuanes (R$ 75 bilhões) até 2030.

Jovens consumidores expressam uma preferência crescente por marcas nacionais e de segunda mão, considerando as grifes ocidentais tradicionais ultrapassadas. É o caso de Phoebe Ma, de 24 anos, que apontou que o monograma da Louis Vuitton é associado à geração anterior e que a geração Z tem maior interesse em marcas coreanas e locais mais atuais.

Chen Luo, chefe de pesquisas do Bank of America, destaca que os consumidores chineses buscam cada vez mais produtos que expressem identidade própria, qualidade e relevância cultural, não apenas status social. Ele ressalta que as empresas estrangeiras enfrentam o desafio de manter sua relevância em um varejo altamente influenciado pela cultura digital e redes sociais locais, com um ecossistema digital único na China.

Além do cenário econômico, tensões culturais têm impactado as relações comerciais, como demonstrado na recente vitória da LVMH em uma ação contra a rede chinesa Molly Tea por uso de marca semelhante, episódio que gerou reações negativas na internet chinesa, por suposta apropriação de padrões tradicionais.

Apesar das dificuldades, especialistas afirmam que a China seguirá sendo um mercado importante para o luxo global, com potencial de recuperação acompanhando a evolução econômica, na qual a classe mais abastada tende a se beneficiar inicialmente.

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