Conselho da Helbor recomenda aceitar oferta da HBR para fechamento de capital
Helbor orienta acionistas a aprovarem oferta da HBR Realty, controladora do grupo, que propõe fechar capital da incorporadora.
O conselho de administração da incorporadora Helbor recomendou nesta terça-feira (20) que seus acionistas aceitem a oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela HBR Realty, empresa do mesmo grupo, para a compra do controle e posterior fechamento do capital da Helbor na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).
As companhias fazem parte do grupo da família Borenstein, com Henrique e Henry Borenstein no conselho da Helbor, que se abstiveram da votação, enquanto os outros cinco conselheiros aprovaram por unanimidade o parecer favorável à oferta.
De acordo com os termos, a OPA não envolve dinheiro. Cada ação da Helbor será convertida em 0,8155 ação da HBR Realty, que atua com propriedades para renda, como shoppings e imóveis para locação. Essa operação atribui o valor de R$ 2,52 por ação da Helbor e R$ 3,09 por ação da HBR.
O laudo de avaliação feito pela consultoria Apsis considerou diferentes critérios para o preço justo da ação da Helbor, apontando valores que vão desde R$ 3,95 (fluxo de caixa descontado) até R$ 10,91 (patrimônio líquido contábil). Para definir o preço da OPA, foi usada a média das cotações da Bolsa nos 90 dias úteis anteriores ao laudo, resultando em um desconto de 12,8% em relação à média dos últimos 12 meses, de R$ 2,89. O banco Bradesco BBI emitiu opinião independente respaldando o preço da oferta.
Os conselheiros destacam que não houve negociação prévia entre partes independentes, uma vez que Helbor e HBR estão sob o mesmo controle, o que implica risco de assimetria de informações entre controladores e acionistas minoritários. Ainda assim, o conselho entende que isso não prejudica a oferta.
O grupo controlador, formado pela holding Hélio Borenstein S.A. e pelos irmãos Henrique e Henry Borenstein, detém 50,1% da Helbor e 52,5% da HBR, tendo se comprometido a apresentar todas as suas ações na mesma condição que os demais acionistas no leilão marcado para 28 de outubro, com liquidação prevista para 9 de novembro.
A continuidade da oferta depende da aceitação por titulares de pelo menos dois terços das ações em circulação habilitadas para o leilão. Em caso de sucesso, a Helbor deixará o Novo Mercado e a B3, e os atuais acionistas da incorporadora irão deter cerca de 51,2% da HBR, com aproximadamente 25,3% das ações ficando com acionistas minoritários.
A HBR justifica a OPA ressaltando o objetivo de gerar sinergias e reduzir custos decorrentes da manutenção do capital aberto. As duas empresas já possuem operações conjuntas e compartilham sua estrutura administrativa, e a integração societária é vista como um passo natural para simplificar e otimizar a gestão do grupo.
Embora a HBR não tenha planos formais de fusão ou incorporação da Helbor em curto prazo, não descarta essa possibilidade no futuro.
Desempenho operacional da Helbor no terceiro trimestre
Na mesma data, a Helbor divulgou uma prévia operacional referente ao terceiro trimestre, ressaltando desaceleração nos indicadores de vendas.
Os lançamentos somaram R$ 70,8 milhões em valor geral de vendas (VGV), queda de 87,9% em relação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre, a incorporadora não havia registrado lançamentos, mas no terceiro trimestre foram realizados dois empreendimentos, localizados em São Paulo e Mogi das Cruzes.
As vendas brutas caíram 25,6%, totalizando R$ 356,5 milhões no trimestre, enquanto no acumulado do ano a redução chegou a 28,7%, com vendas de R$ 1,1 bilhão. A velocidade de venda (VSO) diminuiu de 16,9% para 12,1%. Os repasses financeiros, que representam os financiamentos transferidos a bancos após entrega de chaves e geram caixa para a incorporadora, caíram 71,7%, atingindo R$ 176 milhões.
A dívida líquida da Helbor aumentou de R$ 1,66 bilhão para R$ 1,77 bilhão no período de março a junho, enquanto a receita líquida trimestral caiu de R$ 346,6 milhões para R$ 212,7 milhões.