Bank of America destaca duas estratégias para investir em petróleo com Petrobras e PRIO
BofA reforça recomendação de compra para Petrobras e PRIO, destacando pré-sal e geração de caixa como principais atrativos.
O Bank of America (BofA) reafirmou sua visão positiva para as duas principais empresas do setor de petróleo na Bolsa brasileira, Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3), destacando teses distintas para cada uma delas. A instituição manteve a recomendação de compra para ambas e elevou os preços-alvo, fixando R$ 70 para Petrobras e R$ 74 para PRIO.
Petrobras e a aposta no pré-sal
Para a Petrobras, o BofA chama a atenção para uma possível subestimação do mercado quanto aos ganhos estruturais dos campos do pré-sal. Segundo analistas do banco, investidores tendem a comparar os ativos do pré-sal com os campos convencionais do pós-sal, desprezando características geológicas que favorecem maior recuperação de petróleo, como óleo mais leve, reservatórios gigantescos e alta permeabilidade horizontal.
Esses fatores resultam em produção superior, platôs de produção mais longos e declínio mais lento, com campos como Búzios, Tupi e Mero surpreendendo positivamente. Com base nessa premissa, o BofA elevou suas projeções para a produção da Petrobras, estimando 2,94 milhões de barris por dia em 2027 e 3,08 milhões em 2028, superando as metas oficiais da companhia.
Além disso, o banco destaca que a Petrobras negocia com um desconto significativo em relação às grandes petroleiras globais, atribuindo esse fator a um “prêmio político” excessivo que não condiz com a governança observada nos últimos anos. O BofA projeta expansão média anual da produção da Petrobras de 6,7% entre 2026 e 2028, maior do que as principais concorrentes internacionais.
Outro ponto ressaltado é a capacidade de geração de caixa da companhia, com projeção de rendimento de fluxo de caixa para acionistas (FCFE yield) de 18,4% em 2027 e 12,5% em 2028, além de dividend yield de 11,2% e 8,3% nos respectivos anos, superiores aos similares entre petrolíferas globais.
PRIO foca em geração de caixa e distribuição
Já a tese para PRIO se concentra na sua capacidade de gerar caixa livre e distribuir recursos aos acionistas. O BofA observa que a companhia é uma das maiores histórias de criação de valor na Bolsa brasileira, construindo crescimento principalmente por meio da aquisição disciplinada de ativos maduros e aumento da produtividade na Bacia de Campos.
A estimativa do banco para o fluxo de caixa livre da PRIO é de US$ 3,4 bilhões em 2027 e US$ 2,8 bilhões em 2028, implicando rendimentos (yields) de cerca de 28% e 23% nesses anos, respectivamente. A política de dividendos da companhia, segundo o BofA, deve respeitar o preço do petróleo e manter a alavancagem financeira controlada, com dívida líquida abaixo de uma vez o Ebitda.
Assim, são esperadas distribuições anuais em torno de US$ 2 bilhões a US$ 2,1 bilhões, o que resultaria em dividend yields ao redor de 18% ao ano. A elevação do preço-alvo da PRIO para R$ 74 leva em conta um cenário de referência para o Brent de US$ 93 o barril em 2026 e US$ 80 em 2027.
Essas análises reforçam dois caminhos distintos para investidores que desejam se expor ao setor de petróleo no Brasil: o foco na qualidade dos ativos e potencial de valorização com a Petrobras e a forte geração de caixa e retorno aos acionistas oferecidos pela PRIO.