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Ataques dos houthis revelam vulnerabilidades da defesa da Arábia Saudita mesmo com altos investimentos

Grupo apoiado pelo Irã golpeia cidades sauditas, desafiando sistemas avançados de defesa do reino.

Da 15/10/2026 às 11h53

Os recentes ataques dos houthis à Arábia Saudita evidenciam os limites da capacidade militar do reino, apesar dos elevados investimentos. Segundo dados compilados pela Bloomberg Economics, o país alocou entre US$ 64 bilhões e US$ 96 bilhões para defesa em 2026, valor que supera amplamente o orçamento militar dos vizinhos do Oriente Médio, inclusive Israel, segundo maior investidor regional.

Mesmo contando com tecnologia avançada, como baterias antimísseis Patriot da Raytheon e interceptadores PAC-3 da Lockheed Martin, além de centenas de caças F-15 da Boeing e aeronaves de reabastecimento em voo exclusivas na região do Golfo, a Arábia Saudita não conseguiu impedir danos significativos causados por mísseis e drones lançados pelos houthis, combatentes apoiados pelo Irã que atuam a partir do Iêmen.

Esses ataques recentes resultaram em ao menos 18 mortes e no fechamento temporário do principal aeroporto internacional saudita, em Riad. O grupo manifestou intenção de continuar a ofensiva, atingindo diversas cidades durante a última semana.

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Desafios estratégicos da defesa saudita

O vasto território da Arábia Saudita, com mais de 2,1 milhões de quilômetros quadrados, abrange inúmeros alvos estratégicos, o que torna a proteção integral uma tarefa complexa. Interceptar mísseis balísticos num cenário com múltiplos alvos amplifica os desafios, mesmo considerando que há histórico de alto percentual de interceptação em ataques regionais anteriores.

Além disso, as baterias Patriot possuem cobertura direcionada, não oferecendo proteção em 360 graus, o que dificulta a resposta rápida a mísseis e drones disparados do sul, origem dos lançamentos houthis. A dependência das Forças Armadas sauditas em relação aos Estados Unidos é outro fator relevante, especialmente na obtenção de inteligência militar e designação de alvos.

Capacidades e adaptações dos houthis

Após anos de conflito no Iêmen, o grupo contou com experiência prática, o que permitiu desenvolver e adaptar seu arsenal, incluindo drones precisos, mísseis balísticos e de cruzeiro de baixo custo, usando inclusive componentes chineses. Essa estratégia gera elevado custo operacional para o lado saudita, que precisa empregar mísseis interceptadores milionários para neutralizar essas ameaças relativamente econômicas.

Analistas destacam que a persistência, o treinamento e a liderança impactam o cenário de conflito muito além do orçamento disponível, como ressaltou Wolf-Christian Paes, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

Impacto e perspectivas regionais

Com um alcance estimado de até 1.200 quilômetros para seus mísseis balísticos, os houthis conseguem atingir praticamente todo o território da Arábia Saudita. A dificuldade em eliminar lançadores móveis e instalações subterrâneas no terreno montanhoso do Iêmen acrescenta complexidade à gestão da ameaça.

Especialistas como April Longley Alley, do Washington Institute, e o ex-secretário de Defesa dos EUA Lloyd Austin apontam que a ameaça não será facilmente contida apenas por meios militares ou pela Arábia Saudita sozinha, demandando esforços coordenados.

O conflito envolve desafios políticos e estratégicos que ultrapassam o campo militar, refletindo limitações estruturais regionais que ainda não foram superadas apesar dos elevados gastos sauditas em defesa.

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