Líder de seita no Quênia é condenado pela morte de quase 200 crianças por fome
Paul Mackenzie e outros líderes foram julgados culpados pelo assassinato de 191 pessoas, em sua maioria crianças, por imposição de jejum.
O líder da seita apocalíptica queniana, Paul Mackenzie, foi declarado culpado pelo assassinato de 191 pessoas, das quais 190 eram crianças, por impor aos seus seguidores a obrigação de deixar seus filhos morrerem de fome para "encontrar Jesus". A decisão foi anunciada em juízo na cidade de Mombasa, no Quênia, após um julgamento de várias horas conduzido pela juíza Diana Mochache.
Mackenzie, autodenominado pastor, dirigia a seita Ministérios Internacionais da Boa Nova desde 2003. Sua doutrina proibida incluía a educação formal e condenava a medicina moderna, classificando-a como "maligna". Além disso, o líder ordenava que os fiéis restringissem alimentação e cuidados básicos, resultando em centenas de mortes.
Outros 28 líderes da seita também foram condenados por assassinato, embora tenham negado a responsabilidade, alegando que nenhuma pessoa foi forçada a morrer. Testemunhos indicaram que quem resistisse ao jejum imposto era coagido por violência física.
Leia também: Daniel Vilela e Adriano Rocha Lima são incluídos como réus em ação sobre pagamentos no Conselho da Saneago
A descoberta aconteceu em 2023 com a localização de mais de 400 corpos em covas rasas na floresta de Shakahola, região próxima à cidade de Malindi, na costa do Quênia. Escavadores relataram encontrar mortos, inclusive crianças pequenas, muitas com mãos e pés amarrados e envoltas em lençóis.
As vítimas eram enterradas em um local chamado de "casamentos", simbolizando que supostamente haviam se unido a Jesus pela morte, conforme explicou a juíza. Entre os relatos está o de uma mulher grávida que foi proibida de amamentar seu bebê, que faleceu dias depois por desnutrição.
Paul Mackenzie permanece preso desde 2023 e enfrentará sentença em 6 de novembro. Ele e seus seguidores também respondem por acusações de terrorismo, radicalização e negação de direitos fundamentais, como a educação infantil.
Quando a igreja oficial foi fechada em 2019, Mackenzie levou seus seguidores para a floresta de Shakahola, onde a prática do jejum extremo e a rejeição da assistência médica foram intensificadas. Apesar do sofrimento generalizado, alguns ex-membros ainda defendem Mackenzie, enquanto familiares das vítimas expressam alívio pela condenação dos responsáveis.
📰 Veja também
Ucrânia retoma Starlink; Musk acusa uso militar
Após mais de uma semana de restrições que prejudicaram operações militares, Ucrânia confirma funcionamento total do Starlink; Elon Musk acusa uso indevido do sistema.
Incêndio atinge 'Ninho da Águia', obra ligada a Hitler
Fogo consome 'Ninho da Águia', símbolo nazista nos Alpes da Baviera, com homem detido e investigação em andamento.
Confrontos marcam protestos na Bélgica e Albânia
Manifestações contra o custo de vida geram conflitos na Bélgica, Albânia e França, com uso de gás lacrimogêneo e prisões.
Milhares protestam em Madri contra privatização das aposentadorias
Manifestantes reivindicam a manutenção das aposentadorias públicas e criticam propostas do Partido Popular antes das eleições legislativas.
Six Flags instalará cintos após morte em montanha-russa
Six Flags inicia reforço nas montanhas-russas Goliath e outras com sistema de travas semelhante nos EUA e Canadá.