Milhares protestam em Madri contra privatização das aposentadorias
Manifestantes reivindicam a manutenção das aposentadorias públicas e criticam propostas do Partido Popular antes das eleições legislativas.
Milhares de pessoas foram às ruas do centro de Madri neste sábado (24) para protestar em defesa das aposentadorias públicas. Segundo a Delegação do Governo em Madri, aproximadamente 25 mil manifestantes participaram da mobilização pacífica que percorreu cerca de dois quilômetros entre a estação de Atocha e a rua Alcalá.
Os participantes da marcha exibiam faixas com mensagens como “Aposentadorias garantidas” e “Proteger as aposentadorias”. O protesto ocorre a um mês das eleições legislativas na Espanha, marcadas para 29 de novembro, e reflete a preocupação de setores da população diante de possíveis mudanças no sistema previdenciário público.
A esquerda espanhola acusa a liderança da direita, especialmente o Partido Popular (PP), de buscar abrir caminho para uma privatização parcial das aposentadorias. O funcionário público Juan Fernández, de 38 anos, expressou durante o protesto sua incerteza quanto ao futuro de sua aposentadoria e rejeitou reformas que possam implicar em riscos financeiros como ganhos ou perdas.
Em contrapartida, o líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que, caso o PP vença as eleições legislativas antecipadas, reajustará as aposentadorias conforme a legislação atual, que impõe o ajuste baseado na inflação desde 1º de janeiro de 2022. Essa posição foi apresentada em resposta às críticas do governo socialista de Pedro Sánchez, que acusa o PP de propor alterações prejudiciais ao sistema previdenciário.
Anteriormente, no final de 2021, o Partido Popular votou contra o projeto que instituiu o mecanismo de reajuste automático atrelado à inflação, argumentando que o custo seria excessivo para as contas públicas.
Atualmente, o valor médio das aposentadorias na Espanha é de 1.576 euros mensais, equivalente a quase R$ 9 mil, beneficiando cerca de 6,8 milhões de pessoas segundo dados do Ministério da Seguridade Social. Além da questão previdenciária, a mobilização também foi marcada por reivindicações em defesa da moradia, educação e saúde públicas, temas que têm mobilizado principalmente os jovens.
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