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Jovem venezuelano cria portal com IA para localizar

Programador Jorge Bastidas lançou serviço online para ajudar famílias em busca de parentes após tremores na Venezuela.

Após os terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho de 2026, o programador venezuelano Jorge Bastidas, de 32 anos, criou um portal online para ajudar a localizar pessoas desaparecidas. Morando na Argentina e impossibilitado de agir diretamente no país, ele reuniu tecnologia e iniciativa para oferecer uma ferramenta de apoio à população afetada.

Conforme relatos do próprio Bastidas, os primeiros momentos após os tremores foram marcados por incerteza e falta de comunicação entre familiares. Muitas pessoas buscavam desesperadamente notícias de seus entes queridos, mas o governo venezuelano não disponibilizou dados oficiais ou canais específicos para registrar os desaparecimentos.

Com apoio da inteligência artificial da empresa Anthropic, Jorge desenvolveu o site denominado “Desaparecidos Terremoto Venezuela” em pouco mais de quatro horas após os abalos. O portal permite que familiares cadastrem informações sobre pessoas desaparecidas, como fotos, dados pessoais, e local do último contato, armazenando tudo em uma base de dados processada com auxílio da IA para organização e análise.

Desde sua criação, a plataforma recebeu mais de 82 mil registros, dos quais cerca de 29,4 mil ainda correspondem a pessoas não localizadas após a verificação e eliminação de duplicatas feitos por voluntários. Em paralelo, outra iniciativa independente aponta número superior, com mais de 41 mil casos não contatados. Jorge destaca o sentimento de indignação frente à ausência de ação governamental para estimar ou procurar desaparecidos.

O portal também incorporou tecnologia de reconhecimento facial fornecida pelo laboratório mexicano LAB-CO, auxiliando na identificação e cruzamento das fotos de pessoas desaparecidas, além de eliminar entradas repetidas. Essa ferramenta já era utilizada em serviços forenses do México e da Guatemala e foi adaptada para o contexto venezuelano.

Além do aspecto tecnológico, uma equipe de voluntários transcreveu listas manuscritas de pacientes recebidas por hospitais de Caracas e La Guaira, cruzando os dados para atualizar o site com informações de pessoas já encontradas ou falecidas.

A plataforma enfrentou diversos desafios, como ataques cibernéticos que alteraram registros e tentativas de registro de dados falsos ou inadequados, levando ao reforço dos filtros e controles internos para manter a integridade das informações.

Jorge Bastidas planeja agora expandir o trabalho com uma central de atendimento para confirmar por telefone os registros existentes, com o objetivo de disponibilizar dados mais precisos à população. "Ainda não sabemos a real dimensão dos danos. Vou me sentir satisfeito quando puder dizer às pessoas: 'É isso que temos'", declarou.

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