IA movimenta R$ 680,2 milhões em anúncios eleitorais nos EUA
Levantamento aponta 220 anúncios eleitorais com inteligência artificial, com 81% financiados por republicanos, em eleições americanas de 2026.
A inteligência artificial (IA) tem ganhado protagonismo nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026. Um levantamento recente identificou 220 anúncios políticos produzidos com IA, nos quais apenas 27% indicam claramente a utilização dessa tecnologia.
O projeto Wesleyan Media Project, responsável pela análise, também registrou que mais de US$ 137 milhões (R$ 680,2 milhões na cotação de hoje) foram investidos na veiculação dessas peças, valor significativamente superior aos US$ 50 mil (R$ 248 mil na cotação de hoje) aplicados em 2024, indicando crescimento expressivo do uso da IA em propagandas.
Dos anúncios mapeados, cerca de 81% são financiados por candidatos ou grupos ligados ao Partido Republicano, enquanto os Democratas contribuíram com 12%, e o restante com organizações independentes.
Uso da IA levanta preocupações
Embora o uso da IA seja crescente, nos Estados Unidos não existe uma legislação federal que obrigue as campanhas a informarem quando utilizam inteligência artificial na produção de anúncios eleitorais. Apenas alguns estados possuem regras específicas para esse tema.
O senador democrata Jon Ossoff, do estado da Geórgia, qualificou o aumento dessa prática como “profundamente preocupante”. Ele solicitou a remoção de um anúncio produzido com IA que, sem informar o uso da tecnologia, mostrava imagens dele em um salão de beleza sugerindo que estaria manipulando seu relatório financeiro. Este anúncio foi financiado por uma organização ligada aos republicanos.
Impacto dos anúncios políticos com IA
Pesquisadores afirmam que essa forma de propaganda, apelidada de “slopaganda” — combinação de propaganda política com conteúdo de baixa qualidade gerado por IA —, é utilizada para mobilizar eleitores e captar fundos mais do que para influenciar diretamente o resultado das eleições.
Um relatório do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York destaca que a proliferação de conteúdos gerados por IA pode dificultar a atenção do eleitorado, que se vê exposto a uma grande quantidade de informações confusas, reduzindo a eficácia desses anúncios.
Exemplo de anúncio controverso
Um dos anúncios identificados mostrou o candidato democrata Abdul El-Sayed, do estado de Michigan, segurando cartas de um jogo de tabuleiro com mensagens polêmicas, como “Morte aos EUA” e “Celebre o 11 de Setembro”, alusivas aos atentados terroristas de 2001.
A peça exibiu ainda uma família gerada por IA, posando com o candidato, que é muçulmano e filho de egípcio, ao lado de mulheres com véus completos. O vídeo foi produzido por um grupo próximo ao senador republicano Ted Cruz, do Texas. Diferentemente da maioria dos anúncios, ele informava, explicitamente, que foi criado, total ou parcialmente, com o auxílio da inteligência artificial.
Com o aumento do uso da IA na propaganda eleitoral, cresce a preocupação sobre os impactos na transparência e na qualidade do debate político, especialmente diante da ausência de regras que regulem a divulgação desse tipo de conteúdo.
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