França mobiliza 70 mil agentes para conter novos protestos no
Ministro do Interior, Laurent Nunez, anuncia reforço policial em meio a manifestações recentes e alerta sobre apelos à violência nas redes sociais.
O governo francês anunciou a mobilização de cerca de 70 mil agentes de segurança para enfrentar as manifestações previstas para o fim de semana, informou o ministro do Interior, Laurent Nunez, nesta sexta-feira (23). A decisão ocorre após protestos violentos que marcaram o último fim de semana em Paris e outras cidades, com confrontos, saques e detenções em massa.
Segundo Nunez, há disseminação de apelos à violência e saques nas redes sociais, especialmente por grupos identificados como extremistas de esquerda e extrema esquerda radical. Para responder a essas ameaças, o efetivo de segurança contará com unidades policiais de elite, cerca de 20 veículos blindados e 15 veículos equipados com canhões de água.
Os incidentes mais recentes incluíram milhares de manifestantes nas ruas de Paris no dia 22 de outubro e uma série de proibições de protestos em cidades como Lyon, Marselha e Montpellier, como medida preventiva diante dos tumultos registrados. Entre os fatos, destaca-se um incêndio quase destrutivo na prefeitura de Limoges.
Desde o início dos distúrbios em 17 de outubro, mais de 2.700 pessoas foram presas, informou o ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin. O presidente Emmanuel Macron enfatizou que as medidas visam proteger centros urbanos, estabelecimentos comerciais e prédios públicos, ressaltando que o direito de manifestação é assegurado pela Constituição, mas que atos de violência são atribuídos a grupos radicais que buscam desestabilizar a República e a criminosos aproveitando a situação para saques.
Movimento Social cresce a partir de reivindicações estudantis
As mobilizações tiveram início em escolas de ensino médio em Créteil, região metropolitana de Paris, motivadas pela falta de funcionários e condições inadequadas. Os estudantes reivindicam mais recursos, melhorias estruturais e mudanças no sistema de ingresso universitário, considerado por muitos injusto.
Com a dificuldade do governo em atender as demandas iniciais, o movimento estudantil expandiu suas pautas para incluir protestos contra o aumento do custo de vida, atraindo o apoio de movimentos sindicais tradicionais como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e os coletes amarelos, que marcaram as manifestações contra os preços dos combustíveis em anos anteriores.
As autoridades locais e o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reforçam que a operação de segurança para os próximos atos deve ser robusta para evitar a repetição dos episódios violentos que evidenciaram falhas na gestão da segurança pública. Paralelamente, os sindicatos preparam nova jornada de mobilizações para o dia 5 de novembro, convocando trabalhadores de diversos setores.
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