França mobiliza 70 mil agentes para conter novos protestos após
Novos atos de protesto ocorrem neste sábado em várias cidades francesas; governo reforça segurança com aumento no efetivo policial e restrições locais.
Após mais de um mês de intensas manifestações motivadas pelo aumento do custo de vida, a França vive neste sábado (24) uma nova rodada de protestos programados em diversas cidades do país. Em resposta, o governo reforçou o esquema de segurança, mobilizando 70 mil policiais e agentes especiais, um aumento de 15% em relação ao efetivo da semana passada.
Esses protestos vêm na esteira de atos realizados no último sábado (17), que reuniram cerca de 500 mil pessoas de acordo com a imprensa local. Naquela ocasião, houve confrontos entre manifestantes e a polícia, registrando repressão e danos a estabelecimentos comerciais, com aproximadamente 1.800 prisões feitas pela polícia.
O presidente Emmanuel Macron, após uma reunião do Conselho de Segurança francês na quinta-feira (22), aconselhou a população a não participar das manifestações, ressaltando que apenas atos organizados por sindicatos teriam autorização oficial. A decisão desencadeou reações contrárias de partidos da esquerda, que acionaram o Conselho de Estado para contestar a declaração presidencial.
Esquema de segurança reforçado com recursos especiais
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, detalhou que as autoridades detectaram, via redes sociais, convocações para possíveis episódios de violência e saques, o que justifica a mobilização ampliada. Para conter eventuais distúrbios, será empregado um contingente composto por unidades especializadas, veículos blindados e equipamentos de dispersão de multidões. Plataformas digitais como Meta, Snap e TikTok foram solicitadas a intensificar a fiscalização durante o fim de semana.
Restrição e organização das manifestações em diferentes cidades
As manifestações foram autorizadas oficialmente em ao menos oito grandes cidades, porém com regulamentações distintas, que vão desde o trajeto permitido até restrições de horários. Em Paris, os sindicatos receberam permissão para realizar uma passeata entre as praças da Bastilha e da Nação, enquanto uma manifestação de estudantes e integrantes dos coletes amarelos, originalmente programada entre a Bastilha e a Ópera, foi proibida. O percurso para este último grupo foi alterado para um novo trajeto menos central, que tem sido criticado por dificultar o controle das forças policiais.
Em Marselha, foi permitida excepcionalmente uma manifestação sindical, mesmo após proibição inicial pela prefeitura. Já em Lyon, foram impostas restrições para atos em áreas centrais entre 10h e 23h devido a incidentes anteriores envolvendo saques e depredações. Bordeaux e outras cidades também impuseram limitações e, em algumas, como Estrasburgo e Mulhouse, os protestos podem ocorrer apenas em áreas próximas aos centros históricos. Toques de recolher foram implementados em pelo menos dez cidades para garantir a ordem pública.
Manifestações contra extrema direita aumentam tensão em Orléans
A cidade de Orléans será palco de manifestações relacionadas a um congresso do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, previsto para sábado e domingo (25). O governo estima que até 30 mil participantes de diferentes regiões do país participarão de atos contrários ao RN no sábado, enquanto o congresso receberá cerca de 5 mil pessoas no primeiro dia e 10 mil no domingo. A programação foi alterada para minimizar riscos, e o governador local proibiu manifestações no domingo. Cerca de 3 mil agentes estarão mobilizados para acompanhar os eventos.
Impactos culturais e esportivos
As medidas prioritárias de segurança também afetaram atividades culturais e esportivas. Vários museus importantes de Paris — incluindo Louvre, Museu d’Orsay e Museu Picasso — estarão fechados neste sábado, assim como a Ópera de Paris. Eventos artísticos, como a feira Art Basel, tiveram sua abertura cancelada para o final de semana.
No futebol, partidas foram remarcadas: o jogo entre Paris Saint-Germain e Lyon, inicialmente previsto para domingo pelo campeonato francês, foi adiado para segunda-feira a pedido da polícia. Outras partidas também sofreram alterações de data e horário.
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