Ativistas criam grupos inspirados no Exército de Lula na Europa e América
Movimentos de esquerda internacionais adotam a estratégia de mobilização pelo WhatsApp usada por André Janones nas eleições brasileiras.
O grupo chamado "Exército de Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) como uma ferramenta de mobilização durante o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, vem inspirando movimentos políticos em outros países. Com mais de 10 milhões de membros, essa estratégia baseada em grupos no WhatsApp foi adotada por apoiadores de lideranças políticas de esquerda na França, Espanha e Argentina.
Na França, o grupo não oficial "Les Soldats Insoumis" (Soldados Insubmissos), formado por simpatizantes do partido La France Insoumise (LFI) do líder Jean-Luc Mélenchon, refletiu a influência da tática brasileira. O sucesso da iniciativa levou o próprio LFI a lançar um canal oficial, "L’équipe de Mélenchon officielle", no qual os integrantes recebem orientações para expandir a divulgação e bloquear perfis adversários nas redes sociais, visando diminuir o alcance de conteúdos contrários, seguindo os ensinamentos da estratégia de Janones.
As mensagens disseminadas nesses grupos frequentemente aparecem em francês e português, demonstrando o intercâmbio direto entre os modelos adotados no Brasil e as ações internacionais. Essa movimentação ocorre em meio à preparação para as eleições presidenciais francesas previstas para abril e maio de 2027, em que Marine Le Pen, líder da extrema-direita francesa, lidera as pesquisas.
Na Espanha, apoiadores do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez utilizam a mesma estratégia para impulsionar a campanha eleitoral, divulgando imagens, vídeos e discursos, inclusive conteúdos com a presença do presidente Lula. Em sua preparação para as eleições gerais convocadas para 29 de novembro de 2026, os militantes compartilham orientações baseadas nas "6 regras da estratégia digital de Janones" para ampliar a eficiência de suas ações.
Na Argentina, as referências à estratégia brasileira são ainda mais frequentes. Grupos alinhados ao kirchnerismo, corrente política relacionada ao peronismo e adversária do governo de direita liderado por Javier Milei, organizam seus esforços por meio de missões semelhantes às do "Exército de Lula", promovendo a divulgação do grupo e a ampliação do alcance digital. As eleições presidenciais argentinas estão previstas para o final de 2027.
Essa difusão da metodologia adotada por Janones ocorre em um contexto global de avanço da direita e da extrema-direita em diversos países. Na América do Sul, por exemplo, sete chefes de estado são alinhados à direita, enquanto cinco são ligados à esquerda, mostrando o cenário polarizado que motiva essas iniciativas de mobilização digital entre os apoiadores da esquerda.




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