Unilever prevê reajustes maiores em 2027 por alta dos custos
Empresa aguarda reajustes maiores no próximo ano para compensar efeitos da guerra no Irã e mantém projeções de crescimento nas vendas.
A Unilever anunciou que espera um aumento nos reajustes de preços no quarto trimestre de 2026 e durante o próximo ano, segundo informou a empresa em seu comunicado recente. O movimento visa compensar a elevação dos custos associados à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, conflito que começou no fim de fevereiro e que tem afetado multinacionais do setor de bens de consumo.
Fernando Fernandez, presidente-executivo da Unilever, afirmou que a empresa está acelerando os reajustes agora que o cenário de custos está mais claro. "Definitivamente, esperamos que os reajustes de preços em 2027 sejam maiores do que a média de 2026", declarou. Ele acrescentou que a empresa buscará um equilíbrio entre volume e preços tanto no curto quanto no médio prazo.
A empresa conseguiu este ano repassar parte do aumento dos custos das commodities aos consumidores sem prejudicar os volumes de vendas, mantendo o interesse dos clientes. O gestor de portfólio da Oberon Investments, Jack Martin, ressaltou que "a capacidade de repassar custos inflacionários aos clientes sem afetar excessivamente os volumes é o que se espera de uma empresa de bens de consumo essenciais bem administrada."
Apesar das ações da Unilever terem caído 3,4% no dia do anúncio devido à desaceleração do crescimento do volume de vendas no terceiro trimestre, especialmente no segmento de alimentos, a companhia mantém suas projeções para vendas e margem de lucro em 2026. O volume de vendas subjacentes no trimestre cresceu 2,9%, enquanto os preços aumentaram 2,3%.
A Unilever, fabricante de marcas como Dove, Cif e Hellmann's, vem priorizando os segmentos de beleza e cuidados pessoais em detrimento do setor de alimentos, área que apresenta crescimento mais lento. Recentemente, a empresa anunciou planos para separar seu negócio de alimentos e combiná-lo com a fabricante americana McCormick.
Fernandez destacou que a empresa está em processo de simplificação do portfólio para fortalecer os segmentos mais rentáveis. Analistas, como James Edwardes Jones do RBC, consideram que, apesar do desafio do setor de alimentos, o desempenho geral da Unilever permanece positivo, com o crescimento dos volumes impulsionando os resultados.
Outras grandes companhias de bens de consumo estão tomando medidas similares, prevendo repasses de custos aos consumidores para preservar as margens de lucro diante do aumento das despesas causado pelo conflito no Oriente Médio.



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