Tech gasta US$ 720 bi em data centers e preocupa investidores
Amazon, Microsoft, Google e Meta elevam investimentos em IA, mas fluxo de caixa negativo causa apreensão no mercado.
Amazon, Microsoft, Google e Meta, quatro das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, alcançaram um recorde em gastos com a construção e ampliação de data centers, aplicando juntas mais de US$ 720 bilhões neste ano para desenvolver e sustentar inteligência artificial (IA). O investimento representa um aumento de aproximadamente três vezes em relação a dois anos atrás.
Esse volume expressivo de aportes resulta em um fluxo de caixa livre negativo para a maioria dessas companhias, ou seja, elas gastam mais com investimentos do que geram com suas operações regulares. Os grandes aportes financiados por empréstimos e venda de ações provocam inquietação entre investidores, que questionam a rentabilidade das apostas em IA.
A Alphabet, controladora do Google, por exemplo, divulgou pela segunda vez consecutiva um fluxo de caixa livre negativo, apesar de ver seu negócio de computação em nuvem mais do que dobrar as vendas. Contudo, suas receitas na busca online, principal fonte de lucro, ficaram abaixo do esperado, alimentando receios sobre o impacto de ferramentas de IA em seu core business publicitário.
A Amazon apresentou receita trimestral de US$ 201,9 bilhões, alta de 12% em relação ao ano anterior, mas teve lucro ligeiramente reduzido para US$ 20,7 bilhões, desempenho aquém das expectativas de mercado. Sua divisão de computação em nuvem cresceu 39% e faturou US$ 46 bilhões, com projeção de crescimento anual superior a 40% até 2028.
A Meta também reportou fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez desde sua abertura de capital, além de planejar a captação de até US$ 95 bilhões por meio da venda de ações para alimentar suas iniciativas em IA. O CEO Mark Zuckerberg afirmou que ampliar a capacidade computacional é vital para transformar seu agente pessoal de IA, chamado Muse, em um negócio lucrativo e de grande escala.
Enquanto isso, a Microsoft destaca crescimento forte e controle de custos, registrando receita de US$ 92,3 bilhões no trimestre, aumento de 19%, e lucro de US$ 36,6 bilhões, avanço de 32%. As vendas de sua plataforma Azure, que reúne nuvem e IA, cresceram 48%. A empresa afirmou que manterá fluxo de caixa livre positivo ao menos até metade de 2027, mantendo ainda a opção de captar recursos se for necessário.
Esses aportes bilionários refletem a aposta das big techs na disputa para liderar o mercado bilionário da inteligência artificial, assumindo riscos financeiros e operacionais para ganhar participação. Especialistas econômicos avaliam que os retornos dos investimentos provavelmente só serão percebidos ao longo de vários anos, aumentando a volatilidade e as incertezas quanto ao desfecho da corrida tecnológica.
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