Lucro da Vale cai 56% no 3º trimestre de 2026
Resultado da mineradora foi impactado pela queda do preço do minério e aumento dos custos com frete marítimo.
A mineradora Vale registrou lucro líquido de R$ 6,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma redução de 56% na comparação anual. O desempenho financeiro foi afetado pela combinação da queda no preço e na produção de minério de ferro, juntamente com o aumento dos custos do frete marítimo.
Em dólares, o lucro foi de US$ 1,2 bilhão, queda de 44% em relação ao terceiro trimestre de 2025, ficando abaixo das expectativas do mercado, que previa US$ 1,5 bilhão segundo consenso de analistas da Bloomberg.
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, destacou que o resultado reflete "a execução disciplinada da estratégia da empresa e o foco na excelência operacional". Ele acrescentou que a flexibilidade do portfólio, a estratégia de frete e o programa de hedge ajudaram a proteger as margens e manter um fluxo de caixa sólido.
A receita da companhia somou R$ 54,4 bilhões, 4% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado, indicador de geração de caixa, teve queda de 28%, totalizando R$ 17,1 bilhões.
O preço médio internacional do minério de ferro recuou 8% em relação ao trimestre anterior, ficando em US$ 96,91 por tonelada. A Vale vendeu seu minério fino a US$ 85,1 por tonelada, 10% abaixo do valor do terceiro trimestre de 2025.
Os custos com produtos vendidos subiram 13%, impulsionados por aumento de 14% nos gastos com frete e 12% com combustíveis e gases. A média do preço do barril de petróleo Brent foi de US$ 91,29, 34% maior que no ano anterior, devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã.
Para minimizar os efeitos da alta do petróleo, a Vale utilizou contratos de hedge que geraram ganhos quando a cotação aumentou.
A produção de minério de ferro caiu 6% em relação ao terceiro trimestre de 2025, totalizando 88,3 milhões de toneladas. A produção de cobre também caiu 6%, para 85,5 mil toneladas, enquanto a de níquel teve aumento de 6%, alcançando 49,7 mil toneladas.
No período, a mineradora enfrentou crise de governança com a renúncia do presidente e do vice-presidente do conselho de administração, após pressão da Previ, uma das maiores acionistas. Daniel Stieler, ex-presidente do conselho, deixou o cargo após controvérsia envolvendo benefícios recebidos. Marcelo Gasparino, ex-vice-presidente, renunciou após ser acusado de vazar informações confidenciais.
Esses acontecimentos são objeto de dois processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), relacionados aos benefícios pagos a Stieler e à tentativa de destituição de Gasparino.
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