Executivos brasileiros viajam à China para inovar
Viagens para conhecer o ecossistema tecnológico chinês crescem entre empresários do Brasil, refletindo mudança global no foco de inovação.
Observa-se uma transformação no roteiro dos empresários e executivos brasileiros que buscam inovação no exterior. Enquanto anteriormente o Vale do Silício, na Califórnia, era o destino preferido, agora a China assume posição de destaque nas viagens de negócios e conhecimento tecnológico.
A mudança tornou-se mais visível desde o ano passado, especialmente após a redução da exigência de visto para viagens de curta duração ao país asiático. Isso contribuiu para o aumento significativo de missões organizadas para cidades como Shenzhen, Xangai e Hangzhou. Nessas viagens, os participantes visitam empresas de tecnologia, centros de pesquisa, incubadoras de startups, universidades e também pontos turísticos locais.
De acordo com In Hsieh, empresário de origem chinesa e pioneiro na organização dessas missões, há uma nova orientação no acesso a novidades tecnológicas. Ele destaca que o modelo de ir ao Vale do Silício perdeu o frescor por se tornar padronizado, ao passo que o que se vê no Oriente é um ambiente dinamizado e com inovações mais emergentes.
Representantes do mercado de agências que promovem viagens para executivos indicam um fenômeno de busca em massa pela China. Fabio Neto, sócio da empresa de educação executiva StartSe, que dobrou o número de missões para a China em 2026 em comparação ao Vale do Silício, observa que o empresariado brasileiro quer entender o que ocorre na Ásia antes que as inovações cheguem ao Brasil.
O valor dos pacotes de imersão na China começa em R$ 36 mil para um período mínimo de seis dias, incluindo transporte, hospedagem e visitas a empresas. A StartSe tende a personalizar a maioria das viagens para grupos empresariais, embora também ofereça vagas para interessados individuais.
Empresas brasileiras de grande porte, como Ambev, Bradesco, McDonald's, iFood, Volkswagen e General Motors, participam dessas missões. Muitas delas enfrentam concorrência direta de grupos chineses no mercado nacional.
Fábio Rua, vice-presidente da General Motors para a América Latina, que liderou uma delegação para a China neste ano, destaca o objetivo de expor os profissionais ao "ecossistema de inovação" local, em áreas como inteligência artificial generativa, robótica e meios de pagamento. Ele ressalta que a concorrência chinesa já está presente no Brasil, mas a experiência direta visa ampliar a compreensão do ambiente tecnológico do país asiático.
Entre os principais pontos visitados nas missões estão as gigantes Alibaba, ByteDance, Tencent, Xiaomi e Baidu, que atuam em múltiplos segmentos, desde comércio até tecnologia e logística.
In Hsieh ressalta que essas empresas chinesas já têm presença significativa no Brasil, o que fortalece a necessidade de conhecer a China pessoalmente. O fenômeno denominado “Chinamaxxing”, caracterizado pela fascinação ocidental pelas inovações e cultura chinesas, impulsiona essa tendência, refletida em muitas postagens nas redes sociais sobre hábitos locais e avanços tecnológicos.
Empresas brasileiras de tecnologia, como a Zup, adquirida pelo Itaú, também intensificam suas viagens para o país asiático. Marco Bonas, vice-presidente da Zup, comenta sobre a celeridade e o modelo híbrido de trabalho observado em equipes chinesas, com rápida implementação de tecnologias, que chamou a atenção da empresa.
Assim, a China consolidou-se como destino obrigatório para quem busca se atualizar em inovações tecnológicas, representando uma mudança cultural e estratégica no modo como empresários brasileiros se conectam com tendências globais.
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