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Japão cria equipe para simular ataques cibernéticos com IA após

Falha grave na linguagem PHP causou milhões de tentativas de invasão e suspensão de serviços importantes no Japão e outros países.

O Japão anunciou nesta sexta-feira (23) a formação de uma equipe dedicada a simular ataques cibernéticos utilizando inteligência artificial (IA) com o objetivo de identificar vulnerabilidades em seus sistemas tecnológicos. A iniciativa surge após uma grave falha na linguagem de programação PHP, amplamente utilizada na construção de sites e aplicações web, desencadear uma série de ataques que afetaram diversos países, incluindo o Japão.

Conforme reportagem do G1, a falha no PHP resultou em milhões de tentativas de invasão nos últimos dias, levando empresas e órgãos públicos a suspenderem temporariamente seus serviços online para reforçar a segurança. No Japão, a crise impactou inclusive o sistema de alertas de emergência para celulares da operadora SoftBank, que atende mais de 30 milhões de usuários. O serviço foi interrompido para manutenção e correção da falha, deixando temporariamente indisponível o recebimento de comunicados antecipados sobre terremotos, tsunamis e outras emergências, embora outros aplicativos parceiros continuem atuando.

A pronunciamento à Reuters, o ministro japonês da Indústria, Ryosei Akazawa, ressaltou a importância de agir preventivamente e estar sempre um passo à frente dos invasores. "Um ataque pode ser bem-sucedido ao encontrar apenas uma brecha. Por isso, é importante mudarmos nossa mentalidade e pensar sob a perspectiva do invasor", disse. Ele acrescentou que o uso da IA na defesa é essencial para manter a segurança dos sistemas críticos.

Especialistas em segurança cibernética destacam que a disponibilidade das ferramentas de IA tem facilitado a automação de tarefas por criminosos digitais, desde a busca por vulnerabilidades até a elaboração de golpes sofisticados, como phishing. Isso torna os ataques mais rápidos, baratos e difíceis de detectar. A presidente-executiva da Trend Micro, Eva Chen, observou que o Japão pode estar recebendo foco dos invasores devido à grande quantidade de dados detalhados mantidos pelas empresas locais, além de uma confiança excessiva na proteção de sua infraestrutura tecnológica atual.

A falha no PHP, que permanece na linguagem há anos antes de ser descoberta com auxílio de inteligência artificial, motivou os desenvolvedores a divulgarem atualizações de segurança às pressas, recomendando sua imediata instalação para mitigar os riscos. O impacto da vulnerabilidade foi amplo, causando interrupções em serviços bancários, aéreos, ferroviários, tributários e governamentais em múltiplos países, como no Japão, onde empresas como Nomura, Mitsubishi UFJ, ANA, JR East, além de órgãos como Ministério das Finanças e Agência Nacional de Impostos, suspenderam temporariamente alguns serviços online.

A resposta do governo japonês à crise recebeu críticas de especialistas locais, como Nobuo Miwa, presidente da S&J Corp, que considerou a ação lentacomparando-a a "tentar enfrentar um homem-bomba com uma lança de bambu". A iniciativa recente de usar inteligência artificial para simular ataques e testar defesas visa justamente acelerar e aprimorar a capacidade do país de se antecipar às ameaças cibernéticas.

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