Indústria aponta juros altos como principal barreira ao crédito
Apesar de ainda liderarem o ranking de obstáculos, as taxas perderam peso em relação à pesquisa anterior. Em 2025, eram apontadas por 80% das empresas nas operações de curto e médio prazo e por 71% nas de longo prazo.
“A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, afirma em nota Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Outras barreiras
Depois dos juros, as exigências de garantias reais aparecem como o principal entrave nas operações de curto e médio prazo. O problema foi citado por 33,4% das empresas. No crédito de longo prazo, o percentual ficou em 31,5%.
A burocracia foi mencionada por 13,6% dos empresários nas operações de curto e médio prazo. Já no longo prazo, a segunda dificuldade foi o prazo de carência considerado insuficiente, citado por 18,9%.
Principais obstáculos
- Juros elevados: 76% no curto/médio prazo e 69% no longo prazo;
- Garantias reais: 33,4% e 31,5%, respectivamente;
- Burocracia: 13,6% no curto/médio prazo;
- Carência insuficiente: 18,9% no longo prazo.
Busca por crédito
Quase metade das empresas industriais, 49,9%, não tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Apenas 22,9% conseguiram contratar ou renovar financiamento, e 7,5% tentaram, mas não obtiveram os recursos.
No crédito de longo prazo, 54% não buscaram financiamento. Outros 15,5% conseguiram contratar ou renovar operações, e 9,2% tentaram, sem sucesso.
Considerando apenas as empresas que efetivamente buscaram crédito, a taxa de frustração aumentou em relação a 2025:
- Curto/médio prazo: 24,7%, contra 20% em 2025;
- Longo prazo: 37,2%, contra 33% no ano anterior.
As pequenas empresas tiveram os maiores índices de insucesso. No longo prazo, por exemplo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram obter o crédito procurado, ante 29,9% das grandes.
Crédito para despesas
A pesquisa também identificou que empresas industriais continuam recorrendo a linhas de longo prazo para financiar despesas do dia a dia. Entre as que buscaram, contrataram ou renovaram esse tipo de crédito, 28,7% indicaram o capital de giro como principal finalidade.
O percentual ficou acima do registrado para investimentos em máquinas e equipamentos (23,6%) e construção ou instalações (11,6%).
Segundo a CNI, o movimento chama atenção porque linhas de longo prazo normalmente são destinadas a investimentos, enquanto despesas como folha de pagamento, materiais e insumos costumam ser financiadas por operações de menor duração.
No curto e médio prazo, quase 60% das empresas apontaram o capital de giro como principal finalidade do crédito.
Menos custos
Para as empresas, a redução dos custos tributários e administrativos seria a principal medida para facilitar o acesso ao crédito. A alternativa foi escolhida por 38,4% dos entrevistados para operações de curto e médio prazo e por 31,2% para as de longo prazo.
Também aparecem entre as principais sugestões:
- Ampliação das linhas públicas: 22,8% no curto/médio prazo e 26,3% no longo;
- Simplificação das exigências bancárias: 21,1% e 22,1%, respectivamente.
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