Inadimplência cresce quase 40% em um ano entre brasileiros de alta renda
Banco Central aponta aumento expressivo da inadimplência entre quem ganha de 10 a mais de 20 salários mínimos.
Dados do Banco Central mostram que a inadimplência cresceu 38,8% em um ano entre brasileiros que ganham de 10 a 20 salários mínimos, enquanto entre aqueles com renda superior a 20 salários mínimos houve aumento de 35,8%, no mesmo período.
Embora ainda sejam menores entre os mais ricos, as taxas de inadimplência registraram as maiores altas percentuais no último ano. Esse cenário ocorre em meio a juros elevados, especialmente no crédito rotativo do cartão de crédito que, segundo dados preliminares do Banco Central, chegaram a 451,7% ao ano em setembro de 2026.
O crédito para pessoas físicas também avançou 9,9% em 12 meses até setembro, atingindo um estoque total de R$ 4,7 trilhões. O volume de crédito no rotativo do cartão cresceu 12,6% e o parcelamento da fatura avançou 8,4% no mesmo intervalo, totalizando R$ 37,3 bilhões e R$ 17,6 bilhões, respectivamente.
Fatores que pressionam
Especialistas apontam que a facilidade e o acesso imediato ao crédito rotativo, aliado às compras feitas por impulso, influenciam no aumento do uso do cartão entre a população de alta renda. Além disso, a inflação, que segue acima da meta, exerce pressão sobre o orçamento familiar.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, acumulando alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação de 4,5%. A taxa básica de juros (Selic) está em 13,75% ao ano, valor que ainda pesa no custo do crédito apesar de ter sido reduzida desde o início do ano.
Endividamento das famílias brasileiras
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que em outubro 81,6% das famílias declararam ter dívidas, pequeno recuo em relação a setembro.
O percentual de famílias com dívidas em atraso caiu para 29,3%, representando uma diminuição de 1,2 ponto percentual em relação a outubro do ano anterior. Já a parcela das famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas foi de 12,2%, apresentando também redução anual.
Na faixa de renda mais alta (acima de 10 salários mínimos), o percentual de famílias endividadas caiu ligeiramente para 71,5%. Entre as faixas intermediárias, houve variação mista no endividamento.
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