Endividamento das famílias cai pelo 2º mês, mas atinge 81,6% em outubro
Segundo pesquisa da CNC, percentual de famílias muito endividadas caiu pelo segundo mês; inadimplência também diminuiu, porém maioria continua com dívidas.
Em outubro de 2026, 81,6% das famílias brasileiras continuavam com algum tipo de dívida a vencer, como cartão de crédito, financiamentos ou empréstimos, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Apesar do alto percentual, houve melhora em alguns indicadores financeiros das famílias em comparação com o mês anterior. A parcela que se considera muito endividada diminuiu de 17,3% em setembro para 16,8% em outubro, o menor nível desde abril, quando estava em 16,4%.
Também a inadimplência — ou seja, o percentual de famílias com dívidas em atraso — apresentou queda pelo segundo mês consecutivo, recuando de 29,6% em setembro para 29,3% em outubro. Esse foi o menor índice registrado no ano de 2026 até o momento. Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a taxa era de 30,5%, a queda foi de 1,2 ponto percentual.
Além disso, o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas caiu de 12,5% para 12,2% no período analisado, reforçando essa tendência de melhora. O prazo médio de atraso das dívidas diminuiu para 65,1 dias, mas quase metade das dívidas em atraso (48,8%) estava vencida há mais de 90 dias.
O comprometimento da renda também melhorou ligeiramente em outubro, com 19,3% das famílias declarando que destinam mais da metade da renda para o pagamento das dívidas.
Diferenças no endividamento entre faixas de renda
A pesquisa apontou que a inadimplência variou conforme a renda das famílias. Entre as que recebem até três salários mínimos, o percentual de inadimplentes subiu ligeiramente de 38,5% em setembro para 38,6% em outubro, sendo a única faixa com aumento.
Nas famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, a inadimplência caiu de 27,8% para 27,1%. Para aquelas entre cinco e dez salários mínimos, o índice reduziu de 20,2% para 19,7%. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o percentual permaneceu estável em 15%.
O endividamento também apresentou diferenças semelhantes: 84,5% das famílias com até três salários mínimos tinham dívidas em outubro. No grupo de três a cinco salários, a porcentagem era 83,3%. Para a faixa de cinco a dez salários mínimos, houve aumento de 77,9% para 79,3%, enquanto que para as que ganham mais de dez salários mínimos, houve pequena redução, de 71,9% para 71,5%.
Projeções para o fim do ano
A CNC projeta que o índice geral de endividamento deve se manter estável em torno de 81,6% até dezembro de 2026. Já a inadimplência deve continuar sua trajetória de queda, podendo atingir 29,2% no último mês do ano.
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