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Gigantes da tecnologia perdem quase R$ 4,5 trilhões após queda por IA

Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft enfrentam forte queda na bolsa após altos gastos em IA e dúvidas do mercado sobre retorno financeiro.

Gigantes da tecnologia perdem quase R$ 4,5 trilhões após queda por IA
Foto: Reprodução

Gigantes da tecnologia como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft perderam quase US$ 900 bilhões (R$ 4,5 trilhões na cotação de hoje) em valor de mercado após divulgar seus balanços trimestrais. A desvalorização ocorreu em meio a altos investimentos em inteligência artificial (IA) e a incertezas dos investidores quanto à capacidade dessas empresas de transformar os gastos em receita e lucro.

Na quinta-feira (29), as ações da Alphabet, dona do Google, tiveram queda expressiva de 12,64%, a maior desde a abertura de capital da companhia em 2004. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, a empresa perdeu US$ 493,9 bilhões (R$ 2,5 trilhões na cotação de hoje) em valor de mercado em um único pregão, equivalente a quase 56% de todo o valor de mercado das empresas listadas na bolsa brasileira.

Na sexta-feira (30), a tendência de queda continuou, afetando também outras empresas do setor, como Amazon, Intel, Nvidia e AMD. O índice Nasdaq recuou 2,9%, chegando ao menor nível em quase três meses, enquanto S&P 500 e Dow Jones também registraram perdas.

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Além da volatilidade nos mercados financeiros, esse movimento reduziu temporariamente o patrimônio de bilionários ligados às companhias. Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google, e Jeff Bezos, fundador da Amazon, viram suas fortunas caírem conjuntamente em mais de US$ 70 bilhões (R$ 347,6 bilhões na cotação de hoje), conforme dados do Bloomberg Billionaires Index.

Altos investimentos em IA pressionam resultados

Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram os investimentos em infraestrutura para IA de US$ 113 bilhões (R$ 561,1 bilhões na cotação de hoje) para US$ 207 bilhões (R$ 1 trilhão na cotação de hoje) em apenas um ano, com previsão de alcançar US$ 740 bilhões (R$ 3,7 trilhões na cotação de hoje) em gastos de capital em 2026. Esses recursos são destinados principalmente à construção de centros de processamento de dados, compra de chips e expansão da capacidade para treinar e operar sistemas de IA.

No terceiro trimestre de 2026, por exemplo, a Amazon investiu cerca de US$ 75,9 bilhões (R$ 376,9 bilhões na cotação de hoje), acima do esperado pelo mercado. Microsoft, Alphabet e Meta também registraram gastos elevados no período.

O caixa das empresas foi impactado, e o grupo formado por Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle apresentou fluxo de caixa livre negativo de US$ 14 bilhões (R$ 69,5 bilhões na cotação de hoje) nos primeiros nove meses de 2026. Isso significa que o capital gerado pelas operações não foi suficiente para cobrir os investimentos e despesas.

Para financiar a expansão, as companhias recorreram à emissão de dívidas. A Microsoft, por exemplo, levantou US$ 25 bilhões (R$ 124,1 bilhões na cotação de hoje) por meio de títulos de dívida para usos corporativos, inclusive investimentos de capital.

Mercado questiona prazo para retorno dos investimentos

Analistas destacam que investimentos deste porte em IA costumam levar tempo para gerar receitas significativas. O mercado, contudo, tem pressionado para entender quando esses aportes bilionários trarão lucro consistente aos acionistas.

Além disso, há preocupações sobre o aumento dos juros, que encarecem o custo de empréstimos e podem afetar os projetos.

A queda das ações reacendeu debates sobre uma possível bolha no setor de IA, embora especialistas ressaltem que a tecnologia tem sólido potencial. O foco está no ritmo dos investimentos e na habilidade das empresas em converter esses recursos em resultados financeiros positivos.

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