FMI revisa alta do crescimento global em 2026, mas alerta concentração dos benefícios da inteligência artificial
FMI ajusta ligeiramente a previsão de crescimento para 3,1% em 2026 e destaca desigualdades nos ganhos provocados pela inteligência artificial, que se concentram principalmente em EUA e China.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou suas perspectivas econômicas e elevou ligeiramente a projeção para o crescimento da economia mundial em 2026, de 3,0% para 3,1%. Em 2025, o crescimento global registrado foi de 3,5%. A revisão foi divulgada no relatório Perspectivas Econômicas Mundiais durante a reunião anual do FMI em Bangkok, Tailândia.
Segundo o documento, o desempenho dos Estados Unidos deve manter-se estável, com crescimento estimado em 2,3% tanto em 2026 quanto em 2027. Cientificou-se ainda que os preços do petróleo deverão subir cerca de 41% ao longo deste ano, chegando a uma média de 96 dólares por barril, o que pode impulsionar a inflação global para 4,7% em 2026, ante 4,1% no ano anterior.
Inteligência artificial sustenta economia, mas gera ganhos desiguais
O FMI destacou que o avanço acelerado da inteligência artificial (IA) tem ajudado a contrabalançar os impactos negativos da alta dos preços de petróleo e gás na atividade econômica. Contudo, o benefício desse boom tecnológico não está distribuído uniformemente pelo mundo.
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Conforme apontado no relatório e em entrevista coletiva de Silvana Tenreyro, diretora do departamento de pesquisa do FMI, mais de três quartos da demanda mundial líquida por semicondutores e equipamentos para IA estão concentrados nos Estados Unidos e na China. Essa concentração reflete a crescente desigualdade no crescimento econômico, pois atualmente 32 países são responsáveis por 95% da expansão global, uma queda significativa em relação aos 54 países que representavam essa participação em abril.
Crescimento e desafios regionais
Economias avançadas deverão apresentar expansão de 2,1% em 2026, ligeiramente superior aos 2,0% de 2025, com perspectiva de desaceleração para 1,9% em 2027. Já o crescimento em economias emergentes e em desenvolvimento deve desacelerar para 3,7% em 2026, frente a 4,5% em 2025, com recuperação projetada para 4,4% no ano seguinte.
Áreas como Oriente Médio e Ásia Central enfrentam condições particularmente complexas, aguardando contração em 2026, seguida de retomada com taxa de 6,3% em 2027. A zona do euro espera crescimento de 1,1% neste ano e 1,2% em 2027. A China terá expansão estimada em 4,5% para 2026, abaixo dos 5% registrados no ano anterior, em conformidade com sua meta oficial. A Índia segue como a economia de crescimento mais acelerado, projetando 7% para o ano, embora abaixo dos 7,7% obtidos em 2025.
Dívida pública e riscos financeiros
O FMI enfatiza a preocupação crescente com o aumento dos níveis de endividamento, que representam risco para a estabilidade financeira global. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, pediu esforços adicionais, tanto por países ricos quanto por pobres, para reforçar as finanças públicas diante de custos elevados de financiamento.
As perspectivas consideram ainda a normalização dos embarques de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz até março, e uma eventual desaceleração no ritmo de avanço da demanda por inteligência artificial.
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