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Celina Leão assume segundo mandato com desafio de recuperar BRB e finanças do DF

Governadora reeleita do DF terá de sanar crise bilionária no BRB e garantir controle das contas públicas da capital.

Governadora do Distrito Federal, Celina Leão, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB
Governadora do Distrito Federal, Celina Leão, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB — Foto: Gustavo Moreno/STF

A governadora reeleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP), inicia seu novo mandato frente a dois grandes desafios econômicos: a recuperação do Banco de Brasília (BRB) e o equilíbrio das contas públicas do DF. A crise do BRB decorre principalmente da aquisição malsucedida de parte do Banco Master, operação autorizada pela Câmara Legislativa em 2025 e que resultou em perdas significativas no patrimônio do banco público.

O Banco de Brasília estima que cerca de R$ 8,8 bilhões em créditos vinculados à operação com o Master sejam, na prática, inexistentes ou irrecuperáveis. Para recompor seu capital e atender às normas do Banco Central, o BRB necessita de um empréstimo da ordem de R$ 6,6 bilhões.

Como acionista majoritário, o governo do Distrito Federal teria de assumir essa dívida no médio prazo, fazendo com que a saúde financeira do BRB influencie diretamente as contas públicas da capital. Para viabilizar os recursos, o GDF recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a autorização para contratar o empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), embora o governo federal tenha negado a garantia para essa operação até o momento.

Celina Leão tem buscado alternativas, incluindo negociações com bancos internacionais, e afirmou que o balanço do BRB, não divulgado desde novembro de 2025, só será apresentado depois que o empréstimo estiver garantido.

Além disso, a governadora terá que enfrentar o desequilíbrio nas finanças públicas do Distrito Federal, identificado como um “rombo bilionário” ao assumir o governo, em março de 2026. Para conter a crise fiscal, o governo do DF implementou corte de gastos, revisão de contratos, e criou um comitê para controlar despesas, preservando áreas prioritárias como saúde, segurança e assistência social.

Segundo o secretário de Economia do DF, Valdivino José de Oliveira, o déficit acumulado entre 2023 e 2025 chega a cerca de R$ 1,9 bilhão, embora haja previsão de superávit próximo a R$ 3 bilhões para o final de 2026 devido a controle mais rígido dos gastos e aumento da arrecadação.

O Plano de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 estima receitas e despesas de R$ 49,8 bilhões para o orçamento próprio do DF, com recursos adicionais do Fundo Constitucional chegando a aproximadamente R$ 30,3 bilhões, totalizando cerca de R$ 80,1 bilhões.

Apesar das diretrizes estabelecidas para melhorar a gestão pública e fiscal, o plano de governo de Celina Leão não especifica metas claras para o equilíbrio fiscal, tampouco detalha prazos ou indicadores para o cumprimento das medidas propostas.

Assim, o próximo governo terá pela frente a tarefa complexa de restaurar a confiança no BRB e garantir a sustentabilidade financeira do Distrito Federal, conciliando urgência financeira com a manutenção dos serviços essenciais para a população.

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