Campinas registra aumento de 30% nas quedas de árvores em 2026; moradores reclamam de demora em podas
Cidade contabilizou 713 quedas de árvores até setembro, superando total de 2025, enquanto pedidos de poda e execuções diminuíram.
Campinas registrou um crescimento de 30,3% nas quedas de árvores entre janeiro e 14 de setembro de 2026, totalizando 713 ocorrências, número este maior do que o acumulado durante todo o ano de 2025, quando foram contabilizadas 547 quedas. Segundo dados da Prefeitura, apenas no temporal com granizo ocorrido na última sexta-feira (9), foram registradas 60 quedas, com ventos que ultrapassaram os 60 km/h na região de Viracopos.
Em contraponto ao aumento dos incidentes, os pedidos de poda realizados via telefone 156 diminuíram 8% em 2026, passando de aproximadamente 3.121 para 2.866 pedidos no mesmo período em comparação a 2025. As execuções das podas sofreram uma queda ainda maior, de 35%.
O Cepagri da Unicamp informou que a cidade acumulou até 13 de outubro 1.354 milímetros de chuva, volume cerca de 300 milímetros superior ao registrado em todo o ano anterior, o que contribui para a maior vulnerabilidade das árvores durante os temporais.
Moradores enfrentam espera longa por podas
No Jardim Boa Esperança, a microempresária Ana Maria Ferreira aguarda há oito anos por uma poda em uma árvore próxima à sua residência, cujo galhos já invadiram propriedades vizinhas e causaram danos no motor do seu portão e na calçada. Ao entrar em contato com o serviço municipal, Ana Maria foi informada de que não há prazo definido para a realização do serviço.
Já no Jardim Roseira, a advogada Karen Meidas convive há cerca de quatro meses com um galho apoiado na rede elétrica e já protocolou quatro solicitações de poda. Ela relata que, apesar da retirada de galhos caídos, a árvore em si não foi podada, fazendo com que o risco permaneça, especialmente durante chuvas fortes.
Resposta da Prefeitura de Campinas
A Prefeitura informou que uma equipe do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) fará vistoria nos locais apontados pelos moradores citados em até cinco dias úteis e que os pedidos de poda são analisados com base em critérios técnicos vinculados à avaliação do estado de conservação das árvores, com intervenções realizadas somente após emissão de laudos técnicos.
Conforme a administração, cerca de 500 árvores são avaliadas mensalmente e os serviços de poda têm prioridade nas situações em que há contato com a rede elétrica ou risco de queda sobre imóveis e vias públicas.
Aspectos técnicos e riscos
O engenheiro florestal Rodolpho Schmidt aponta que problemas como esses estão relacionados ao plantio inadequado de espécies em áreas urbanas, e destaca a importância de que podas e supressões sejam acompanhadas por profissionais habilitados, que podem emitir laudos técnicos e solicitar intervenções emergenciais quando há risco iminente.