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Amazonas

MPF cobra controle rigoroso para registro de dragas usadas no garimpo ilegal na Amazônia

Ministério Público Federal aponta falhas no registro de embarcações que mantém atividade ilegal na região.

19/10/2026 às 15h54  ·  Atualizado em 19/10/2026 às 15h56

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal do Amazonas para exigir que a União adote medidas mais rigorosas no controle do registro das dragas usadas no garimpo ilegal na Amazônia. A investigação revelou que essas embarcações obtêm o Título de Inscrição de Embarcação (TIE) junto à Marinha sem comprovação de licença ambiental ou autorização para a atividade minerária.

De acordo com o procurador André Luiz Porreca Ferreira Cunha, responsável pela ação, a atual prática de emissão de documentos sem as respectivas verificações confere às dragas uma “aparência de legalidade”, apesar de serem utilizadas exclusivamente para o garimpo clandestino.

O MPF solicita que a Marinha passe a exigir a apresentação de licença ambiental e o título minerário validado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para conceder o cadastro das embarcações. Além disso, o órgão requer que sejam realizadas vistorias com fotografias geolocalizadas antes da emissão ou renovação dos documentos.

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A investigação evidencia que a destruição das dragas e balsas empregadas em operações contra o garimpo ilegal não é suficiente para impedir a atividade, pois as estruturas são rapidamente reconstruídas em estaleiros clandestinos na região. Essa dinâmica dificulta o combate e o controle da extração mineral ilegal.

O MPF também apontou desafios na responsabilização dos proprietários das embarcações destruídas. Segundo o órgão, a Marinha tem evitado instaurar processos administrativos para esses casos alegando “perda de materialidade”, o que contribui para a manutenção da atividade ilegal.

A ação destaca ainda a suspeita de conluio entre redes de crime ambiental e o narcotráfico, além do financiamento de facções criminosas, tornando a situação mais complexa e preocupante.

Em relação à fiscalização, o MPF chama atenção para o vasto território controlado pelo Comando do 9º Distrito Naval, que abrange mais de 20 mil quilômetros navegáveis e controla cerca de 35 mil embarcações, o que dificulta a operação e o monitoramento eficientes.

Segundo a Marinha, foram lavrados 392 autos de infração contra embarcações vinculadas ao garimpo ilegal, mas o MPF reconhece a necessidade de ampliar a fiscalização e assegurar a responsabilização dos donos das embarcações, mesmo após a destruição dessas estruturas.

Pedidos apresentados pelo MPF

Na ação, o Ministério Público Federal requer que a Justiça determine à União as seguintes medidas para combater o garimpo ilegal na Amazônia:

  • Exigir licença ambiental e autorização minerária para registro de dragas e balsas;
  • Realizar vistorias com registros fotográficos e geolocalizados;
  • Garantir processos administrativos para responsabilização dos proprietários após a destruição das embarcações;
  • Intensificar o controle e a fiscalização sobre a circulação dessas embarcações.

Os pedidos estão sob análise da Justiça Federal do Amazonas, e a decisão deverá refletir no fortalecimento do combate ao garimpo ilegal na região.

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