Governador do Amazonas reforça punição rigorosa para incêndios criminosos após agravamento da poluição em Manaus
Roberto Cidade convoca comitê emergencial e destaca necessidade de combate firme aos responsáveis por queimadas na região.
O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), enfatizou neste sábado (17) a necessidade de aplicação rigorosa da lei contra quem provocar incêndios criminosos no estado. A declaração ocorreu em meio ao agravamento da qualidade do ar em Manaus e outras cidades, afetadas pela fumaça resultado de queimadas e incêndios florestais.
O índice de qualidade do ar em Manaus atingiu um valor alarmante de 657 pontos na manhã deste sábado, segundo dados da plataforma internacional IQAir. A concentração de partículas finas (PM2.5) chegou a 404,3 microgramas por metro cúbico, o que corresponde a cerca de 81 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), estabelecido em 5 µg/m³.
O governador destacou que o estado enfrenta um dos períodos mais críticos de estiagem dos últimos anos, intensificado pelo fenômeno climático El Niño. Em resposta, convocou em caráter de emergência o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) para definir novas estratégias de combate às queimadas, intensificar a fiscalização e ampliar medidas de proteção à população.
Na sexta-feira (16), a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas aumentou o monitoramento aéreo das áreas atingidas por incêndios, utilizando veículos aéreos não tripulados (Vant) e aeronaves do Departamento Integrado de Operações Aéreas (DIOA). Este trabalho auxilia na identificação de movimentações suspeitas, na localização de possíveis autores e no direcionamento de ações policiais.
Dados recentes indicam um aumento de mais de 190% nos focos de incêndio no Amazonas nos primeiros 17 dias de outubro deste ano em comparação ao mesmo período de 2025. Foram registrados 1.892 focos ativos em 2026 contra 651 no ano anterior, com a maioria ocorrendo em áreas públicas, porém também presentes em terra indígenas e unidades de conservação.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas relatou ter atuado em 3.710 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais entre 1º de junho e 16 de outubro, combatendo 22.557 focos em todo o estado, incluindo Manaus, onde 4.598 focos foram registrados.
Os moradores da capital amazonense relataram nas redes sociais forte odor de fumaça, ardência nos olhos e dificuldades respiratórias. Algumas publicações chegaram a apontar a situação como a pior já vivenciada na cidade, destacando também o impacto na visibilidade e críticas às autoridades locais.
Além dos danos à saúde da população, a fumaça comprometeu a visibilidade, impedindo temporariamente as operações aéreas de combate aos incêndios, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que só foram retomadas após a melhora nas condições atmosféricas.
O alerta de risco severo emitido pela Defesa Civil do Amazonas reforça a gravidade do problema, associando a poluição atmosférica aos incêndios em áreas desprotegidas, enquanto o governo continua mobilizado para conter a situação e responsabilizar os envolvidos.