Presidente da Audi afronta regras ao apoiar Trump em comício
Gernot Doellner participou do anúncio da fábrica da Audi, mas violou regras da empresa ao apoiar evento político.
Gernot Doellner, presidente da Audi, foi alvo de críticas após aparecer ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um comício eleitoral na Geórgia, estado-chave nas eleições de meio de mandato americanas. O evento marcou o anúncio dos planos para a construção da primeira fábrica da Audi nos EUA, prevista para produzir cerca de 200 mil SUVs anualmente.
O investimento de US$ 4 bilhões (equivalente a R$ 20,2 bilhões) deverá gerar aproximadamente 4,5 mil empregos e teve construção prevista para iniciar em 2027, com produção estimada para começo da década de 2030. Apesar do plano ambicioso, a participação de Doellner no comício eleitoral causou desconforto e foi considerada uma violação das regras internas da Audi.
Christiane Benner, presidente do IG Metall — o principal sindicato industrial da Alemanha e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen, controladora da Audi — qualificou a presença de Doellner como "profundamente constrangedora" e declarou que o executivo infringiu as normas corporativas que exigem neutralidade política, especialmente no período que antecede eleições.
O código de conduta da Audi proíbe compromissos públicos com partidos políticos ou candidatos e o patrocínio a eventos eleitorais durante os três meses que antecedem uma votação, o que caracteriza uma quebra das diretrizes internas por parte do presidente da montadora.
Além de Benner, Olaf Lies, primeiro-ministro da Baixa Saxônia — estado alemão que é o segundo maior acionista da Volkswagen — também criticou a participação de Doellner, ressaltando que um comício de campanha não seria o ambiente adequado para o anúncio de um investimento dessa magnitude.
A decisão final sobre o investimento planejado ficará a cargo do conselho de supervisão da Volkswagen, que enfrenta desafios em sua ampla reestruturação corporativa. O governo alemão declarou que a presença do presidente da Audi no comício foi uma decisão da própria empresa.

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