Incêndios em Itacoatiara avançam há mais de duas semanas e ameaçam comunidades rurais
Queimadas em Itacoatiara atingem mais de 800 hectares, destroem plantações e comprometem a qualidade do ar na região.
Incêndios florestais vêm consumindo a zona rural de Itacoatiara, município localizado na Região Metropolitana de Manaus, há mais de duas semanas. A situação, que já destruiu extensas áreas de vegetação e plantações, mobiliza equipes de combate formadas por bombeiros do Amazonas e de São Paulo, além de agentes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o fogo na região da Vila de Lindóia já ultrapassa 800 hectares. A localização remota e de difícil acesso, que exige deslocamentos por estrada e por embarcações, dificulta o trabalho das equipes no terreno.
Moradores locais e lideranças comunitárias estão engajados na contenção das chamas. Conforme o vereador Moisés Formigueiro, a equipe inicial era composta por 13 voluntários e recebe doações de combustível e alimentos dos próprios moradores. Já o vereador Ney Nobre expressou preocupação com o avanço do fogo que pode devastar grandes áreas de mata entre as regiões dos rios Urubu e Uatumã.
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Além da região de Lindóia, incêndios também foram reportados em ramais vinculados à rodovia AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara. No ramal Santa Luzia do Copaíba, particularmente na comunidade Nova Jerusalém, o fogo prolonga-se há mais de duas semanas e tem se aproximado de residências. O agricultor Francisco Pires revelou que suas plantações de mandioca, macaxeira e banana foram destruídas pelas chamas.
Para reforçar as ações, 17 militares da corporação local saíram de Manaus para apoiar a operação de combate, que também contou com a chegada de 30 agentes vindos do estado de São Paulo, entre bombeiros e integrantes da Defesa Civil. Estes últimos trouxeram 11 mil litros de líquido retardante, substância utilizada para diminuir a propagação do fogo que pode ser aplicada tanto do solo quanto por aeronaves.
A fumaça densa causada pelos incêndios tem comprometido a qualidade do ar, classificada como péssima na região, e provocado baixa visibilidade, dificultando também os voos das aeronaves do Ibama e da Defesa Civil. Esses fatores chegaram a atrasar decolagens, prejudicando o acesso aéreo às áreas mais isoladas ao longo do último fim de semana.
As equipes continuam empenhadas em combater os incêndios, abrir aceiros — faixas sem vegetação que atuam como barreiras naturais — e evitar que o fogo avance para áreas ainda maiores e coloque em risco mais comunidades rurais da região.
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