Justiça de São Paulo indefere prisão de motorista investigado por atropelamento fatal de tio de Guilherme Boulos
Magistrado recebeu denúncia e impôs medidas cautelares a motorista investigado por atropelar e matar Carlos Boulos, tio do ministro Guilherme Boulos.
A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva contra Amilton Jusselino Rodrigues, motorista investigado pelo atropelamento e morte de Carlos Boulos, tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. A decisão foi publicada nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026.
O juiz Daniel de Medeiros Silva Corró aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e aplicou medidas cautelares ao suspeito, entre elas a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), a obrigação de comparecimento mensal em juízo e a proibição de mudança de endereço ou ausência sem autorização judicial.
Detalhes do caso e procedimentos judiciais
O atropelamento ocorreu na noite de sábado, 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, região central de São Paulo, após uma discussão de trânsito entre Carlos Boulos e o motorista investigado. Conforme apurado, Carlos teria saído da caminhonete para questionar o condutor do veículo que estava atrás. Segundo o boletim policial, o motorista teria avançado deliberadamente com o carro, fazendo Carlos cair e bater a cabeça, o que levou a ferimentos graves e, posteriormente, à morte da vítima.
Foram registradas imagens do episódio por uma pessoa que estava próxima no momento, além de depoimentos de duas testemunhas que presenciaram o ocorrido. A Polícia Civil identificou a placa do automóvel envolvido.
O pedido de prisão preventiva foi fundamentado pela autoridade policial e Ministério Público na fuga do local e necessidade de garantir ordem pública. O juiz, entretanto, considerou que não estavam presentes todos os requisitos legais para a prisão naquele instante.
O magistrado determinou prazo de dez dias para que a defesa do investigado apresente resposta escrita à acusação, assim como a realização de exames periciais e necroscópicos para apurar as circunstâncias do atropelamento e as causas da morte.
Versão da defesa e condução do processo
A defesa de Amilton Jusselino Rodrigues declarou que o motorista tentou deixar o local por temor e para proteger sua família após a discussão, negando intenção de atingir Carlos Boulos. Segundo os advogados, relatos familiares confirmam essa versão.
Também afirmaram que as imagens, perícia e demais provas serão fundamentais para esclarecer o dinamismo do acidente. “O caso ainda está sendo apurado e é precipitado afirmar, neste momento, que houve intenção de matar”, declarou o advogado Natan Tolintino.
O motorista prestou depoimento à Polícia Civil no início das investigações e foi liberado sem prisão em flagrante. A defesa informou que o investigado permanece à disposição das autoridades e expressou pesar pelo ocorrido, manifestando preocupação com o estado de saúde de Carlos Boulos antes de seu falecimento.