Justiça aceita denúncia contra policial militar por morte de mulher durante abordagem na Zona Leste de SP
Policial militar foi denunciada por homicídio triplamente qualificado após disparo que matou Thawanna Salmázio, em abril.
A Justiça de São Paulo aceitou, na segunda-feira (19), a denúncia do Ministério Público contra a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, que foi acusada de homicídio triplamente qualificado pela morte de Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem na Zona Leste da capital paulista. O caso ocorreu na madrugada do dia 3 de abril de 2026, no bairro Cidade Tiradentes.
Os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Shaefer pedem à Justiça que seja fixada uma indenização mínima de R$ 1 milhão para os familiares da vítima. A acusação aponta que o crime foi motivado por razão fútil, contou com meio cruel e dificultou a defesa da vítima, que estava desarmada na ocasião.
Detalhes da ocorrência
Segundo o Ministério Público, Thawanna caminhava com seu companheiro quando uma viatura da Polícia Militar passou pelo casal, tocando no braço do homem. Após um desentendimento, a policial Yasmin disparou com uma arma calibre .40 atingindo o abdômen da mulher. A denúncia indica que não havia situação que justificasse o uso de força letal, sendo o disparo desproporcional e inibindo a defesa da vítima.
Além disso, foi apontada demora no atendimento médico, com a vítima permanecendo ferida por mais de 30 minutos no local até receber socorro, o que caracterizaria meio cruel, já que Thawanna agonizou consciente durante esse período.
Investigação e apurações
A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que a soldado Yasmin teve intenção de matar e não constatou legítima defesa. As imagens das câmeras corporais dos policiais, embora Yasmin não estivesse usando o equipamento, foram fundamentais para a investigação. A soldado está afastada das funções desde o episódio.
O inquérito policial militar, finalizado em junho, indicou que o disparo realizado pela policial atingiu Thawanna no abdômen, causando a sua morte horas depois. O uso da força foi considerado desproporcional, desnecessário e sem escalonamento progressivo. A narrativa oficial de legítima defesa, segundo a qual Thawanna teria agredido a policial antes do disparo, sofreu contestação por testemunhas que relatam que a policial teria iniciado a agressão.
Contexto e repercussões
Thawanna Salmázio era mãe de cinco filhos e trabalhava como ajudante-geral. Familiares manifestaram revolta diante do ocorrido, contestando a versão oficial e destacando que a vítima não oferecia perigo. Especialistas em segurança pública classificaram o caso como grave, apontando que a abordagem policial desrespeitou protocolos e que o uso da força não foi justificado, especialmente diante da vulnerabilidade da vítima.
A Secretaria da Segurança Pública informou que todas as circunstâncias estão sendo investigadas com prioridade pelas autoridades competentes. Ambos os policiais envolvidos foram afastados e as provas, incluindo imagens, laudos e depoimentos, são analisadas rigorosamente.