MPT investiga denúncia de assédio eleitoral na Prefeitura de São Paulo após pedido de apoio de Ricardo Nunes a Flávio Bolsonaro
Ministério Público do Trabalho apura pressão a servidores e funcionários de creches conveniadas para apoiarem campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) confirmou o recebimento de uma denúncia que aponta suposto assédio eleitoral envolvendo a Prefeitura de São Paulo e entidades que mantêm convênios com a administração municipal. A investigação busca apurar a pressão exercida sobre servidores comissionados e funcionários dessas organizações para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Vídeos e áudios obtidos por jornalistas mostram o prefeito Ricardo Nunes (MDB) pedindo a servidores comissionados que coloquem adesivos da campanha em seus veículos, divulguem atos políticos nas redes sociais e mobilizem eleitores para participarem de manifestações. Em um dos registros, Nunes afirma: “Precisamos colocar o adesivo no nosso carro, colocar o 22 no peito e nas nossas redes sociais, participar dos atos, falar com as pessoas. E a gente vai ter, sem dúvida nenhuma, uma grande vitória do Flávio Bolsonaro, uma vitória do Brasil.”
Além disso, o prefeito orientou servidores a criarem listas de transmissão via aplicativo de mensagens para convidar apoiadores a participarem de um ato ocorrido no último domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo. Em sua fala, Nunes ressaltou a importância do voto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para o próximo domingo (25).
Em contato com o MPT, foi informado que o órgão está apurando os fatos, mas não divulgou detalhes adicionais sobre o andamento do procedimento.
Pressão para participação em manifestação, segundo denúncia
Uma funcionária de uma creche conveniada à Prefeitura de São Paulo procurou o g1 para relatar ter sofrido pressão da direção da unidade para participar da manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro. Por temer represálias, ela preferiu manter o anonimato.
Segundo seu relato, a diretora convocou uma reunião com os funcionários na sexta-feira (16) para anunciar a obrigatoriedade de participação em um evento político, que depois foi especificado como a manifestação do domingo seguinte. Em seguida, funcionários foram chamados individualmente e solicitados a assinarem uma lista confirmando presença.
A unidade mencionada está vinculada à ONG Pleno Viver, que administra creches conveniadas à prefeitura. A denunciante informou que as convocações ocorreram fora do expediente e que os trabalhadores tiveram que arcar com os custos do deslocamento, recebendo em contrapartida a promessa de folgas.
Ela relatou ainda que situações semelhantes já ocorreram em processos eleitorais anteriores, inclusive envolvendo eventos de apoio ao prefeito Ricardo Nunes e sua esposa, Regina Carnovale. Segundo a trabalhadora, a terminologia empregada mudou deste então, passando de “convite” para “convocação”.
O caso segue sob investigação pelo Ministério Público do Trabalho, que tem a responsabilidade de apurar possíveis práticas de assédio eleitoral em relações trabalhistas no serviço público municipal.