São Paulo impulsiona queda na vacância de galpões logísticos de alto padrão no Brasil
Taxa de vacância dos galpões logísticos de alto padrão no Brasil atingiu 3,2% no terceiro trimestre, com forte demanda em São Paulo liderada pelo ecommerce.
A taxa de vacância dos galpões logísticos de alto padrão no Brasil caiu para 3,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor índice dos últimos três anos, segundo levantamento da consultoria Cushman & Wakefield. Essa queda se deve principalmente ao aumento da demanda no mercado de comércio eletrônico, que gerou uma absorção líquida de 599 mil m² apenas no trimestre e um total de 1,55 milhão de m² no acumulado do ano até setembro.
O estado de São Paulo liderou esse movimento, registrando absorção líquida de 439,5 mil m² e uma queda na vacância de 3,9% para 2,7%. A região de Cajamar, que concentra o maior estoque de galpões de alto padrão do país, destacou-se com absorção de 192,1 mil m², seguida por Jundiaí (109,1 mil m²), Barueri (62,4 mil m²) e Embu (59,7 mil m²).
De acordo com a Cushman & Wakefield, o setor de comércio, atacado e varejo liderou as locações com 183,8 mil m² alugados no estado, seguido pelo setor logístico com 126,7 mil m² e o de informação e comunicação com 45,5 mil m².
Entre as maiores operações do período, o Mercado Livre destacou-se em seis das nove maiores locações nacionais, somando cerca de 248 mil m², o equivalente a aproximadamente 31% da área total alugada no país no trimestre. A empresa alugou integralmente galpões como o BTG Log Cajamar (54,9 mil m²), HGLG Itupeva (28,6 mil m²), XPEX Contagem (47,9 mil m²) e grande parte do CL Castelo Branco (45,4 mil m²).
O aumento da demanda e a redução da disponibilidade impulsionaram a valorização dos preços em São Paulo, com o valor médio anunciado subindo de R$ 32,62/m² para R$ 37,42/m². Em Cajamar, a média chegou a R$ 46,4/m², seguida por Guarulhos (R$ 44,5/m²) e Embu (R$ 38,21/m²). Campinas e Jundiaí apresentaram preços mais competitivos, na faixa de R$ 24/m².
No terceiro trimestre, o estado recebeu 259,4 mil m² em novas entregas, elevando o acumulado anual para 619,9 mil m², com destaque para Cajamar (109,8 mil m²) e Barueri (58,9 mil m²). Entretanto, regiões como Sorocaba e Guarulhos registraram absorção líquida negativa devido a devoluções pontuais, especialmente Guarulhos, que sofreu com baixa disponibilidade no trimestre anterior.
Fora de São Paulo, Minas Gerais absorveu 70,4 mil m² com vacância de 1,6%, enquanto o Rio de Janeiro apresentou recuperação com absorção de 71,9 mil m² e vacância caindo de 12,2% para 10,3%, embora ainda tenha o índice mais alto entre os grandes mercados.
Para os próximos meses, a Cushman & Wakefield projeta a entrega de quase 700 mil m² em São Paulo até o fim de 2026, mais que o dobro do volume entregue no terceiro trimestre. Em 2027, a expectativa é de 462 mil m² adicionais, com projetos relevantes como o Marq Guarulhos II (245 mil m²) e o WTLog Franco da Rocha (148 mil m²). Entretanto, algumas regiões já mostram sinais de acomodação, como Guarulhos, que registrou absorção líquida negativa de 16,1 mil m² e aumento da vacância para 4%.