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Investimentos institucionais em infraestrutura de recarga para carros elétricos no Brasil devem avançar em 2027 e 2028

Crescimento da frota eletrificada e entrada de fundos internacionais indicam maior escala nos investimentos em eletropostos nos próximos anos.

19/10/2026 às 05h02

O Brasil deve vivenciar nos próximos anos uma mudança significativa no ritmo dos investimentos institucionais em infraestrutura para carregamento de veículos elétricos, de acordo com especialistas do setor. Até o momento, o avanço da rede foi impulsionado principalmente por empreendedores, montadoras e distribuidores de combustíveis, mas espera-se que fundos internacionais e estrangeiros passem a atuar com maior intensidade.

O aumento da frota de veículos eletrificados em 2026 é um dos fatores que sustentam essa expectativa. Nos nove primeiros meses do ano, foram vendidas 381.609 unidades, o que representa 38% de toda a série histórica desde 2012. Metade desse volume foi comercializado entre agosto de 2025 e setembro de 2026, indicando aceleração da adoção desses veículos.

Segundo Gilberto Prado, fundador da consultoria de mobilidade elétrica Vitesse, a entrada de frotas empresariais no segmento é um dos aspectos que começa a mudar o panorama para investidores, que até então enfrentavam incertezas em relação à demanda varejista dos eletropostos. Ele destaca que o aumento da frota é um estímulo importante para o desenvolvimento da infraestrutura, diferentemente do que ocorre em mercados mais maduros, como o europeu.

Projeções indicam que o mercado brasileiro deve evoluir para modelos de hubs de carregamento maiores e mais estruturados. Atualmente, a instalação de dois carregadores rápidos custa em média R$ 500 mil, enquanto hubs com múltiplos pontos podem demandar investimentos entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões. Esse crescimento na escala deve atrair investidores institucionais, como já ocorre em outros países.

Contudo, essa escalada de investimentos enfrenta desafios, como a capacidade operacional dos players locais e a ausência de um histórico consolidado de uso, receita e disponibilidade dos pontos de recarga, o que freia aportes recentes. Um exemplo internacional é a holandesa Fastned, que atua em nove países e utiliza oferta pública de ações para financiar sua expansão com o objetivo de atingir mil estações de recarga rápida até 2030.

No Brasil, a maior parte dos recursos para projetos atuais vem de investidores-anjo, startups, aportes pessoais e empresas médias, incluindo setores como engenharia e energia solar. Grandes distribuidoras de combustíveis, como a Raízen, também têm experimentado projetos-piloto na área.

O grupo Pátria, por meio da empresa EVMOB fundada em 2024, tem desempenhado papel relevante na eletrificação de frotas comerciais para clientes como Carrefour, Oxxo e Ecorodovias. Segundo Lucas Zanon, CEO da EVMOB, o mercado é abordado a partir dos segmentos consumidor final (B2C), transporte público e empresas (B2B), com este último tendo recebido atenção especial devido ao interesse das companhias latino-americanas em metas financeiras e sociais de descarbonização.

Para a EVMOB, que fornece a frota para os clientes, a necessidade de infraestrutura pública de carregamento não é limitante, já que a empresa gerencia o abastecimento dos veículos. Contudo, eles reconhecem que o aumento da parcela de veículos eletrificados, atualmente quase 20% das vendas, deve acelerar os investimentos em infraestrutura pública.

Além das operações de frota, o Pátria também investiu na plataforma Spott, que oferece software para gerenciamento de redes de carregamento como serviço.

Especialistas projetam que os anos de 2027 e 2028 serão essenciais para a ampliação do ingresso de investidores institucionais no setor de infraestrutura de carregamento no Brasil. Gilberto Prado destaca que o timing ideal para entrada desses fundos é justamente o próximo ano e o subsequente, reforçando a tendência de crescimento e consolidação do mercado.

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