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Amazonas

Manaus volta a registrar pior qualidade do ar do país por fumaça de queimadas

Fumaça de queimadas provoca suspensão das aulas presenciais em Manaus e deixa ar da capital insalubre.

17/10/2026 às 12h52

Manaus voltou a registrar nesta sexta-feira (16) a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras, causada por uma extensa nuvem de fumaça provocada por queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos. Segundo dados da plataforma IQAir, a qualidade do ar na capital era classificada como “insalubre” com índice de 167 por volta das 6h.

De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a maior parte da cidade apresentava qualidade do ar “muito ruim”, enquanto três bairros alcançaram a categoria “péssimo”. O bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul, registrou concentração de partículas de 139,6 µg/m³, enquanto o Morro da Tarumã, na Zona Oeste, teve concentração de 39 µg/m³, considerada moderada.

Suspensão das aulas presenciais

Devido à deterioração da qualidade do ar e com o objetivo de proteger a saúde da comunidade escolar e acadêmica, as aulas presenciais da rede municipal de ensino e da Universidade do Estado do Amazonas foram suspensas nesta sexta-feira. A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação e com base no monitoramento da Defesa Civil Municipal, decidiu pela medida preventiva.

Leia também: Qualidade do ar em Manaus atinge nível perigoso com fumaça de queimadas, superando em 59 vezes recomendação da OMS

Na UEA, todas as atividades acadêmicas presenciais foram interrompidas em suas unidades na capital e no interior, e as atividades administrativas passaram ao modelo remoto, com exceção da Reitoria. O Comitê de Mudanças Climáticas da universidade segue acompanhando a evolução dos índices ambientais.

Origem da fumaça e situação dos incêndios

A fumaça que atingiu Manaus tem origem principalmente em queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos como Rondônia, Pará e norte do Mato Grosso. Segundo o meteorologista Leonardo Vergasta, as pequenas partículas da fumaça permanecem suspensas na atmosfera por vários dias e são transportadas pelos ventos, que sopram de leste e nordeste nesta época do ano, facilitando o deslocamento da poluição para a capital.

Nos primeiros 14 dias de outubro, o Amazonas registrou cerca de 1,6 mil focos de incêndio, um aumento superior a 270% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados do Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Ações do Ibama

Em resposta ao avanço das queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou 725 propriedades rurais no estado, alertando sobre o alto risco de propagação do fogo. As equipes de fiscalização realizam vistorias para verificar o cumprimento das medidas preventivas, tendo autuado parte dos responsáveis por descumprimento.

A força-tarefa federal concentra esforços nos municípios de Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, considerados áreas críticas cujas queimadas contribuem para a fumaça que afeta Manaus. Entre junho e outubro, o Ibama extinguiu 292 incêndios no estado e atualmente combate oito focos ativos, contando com 11 aeronaves para apoio às operações.

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