Qualidade do ar em Manaus atinge nível perigoso com fumaça de queimadas, superando em 59 vezes recomendação da OMS
Fumaça das queimadas eleva poluição em Manaus a índice considerado perigoso, segundo dados do Sistema Selva e IQAir.
Manaus registrou na manhã deste sábado (17) a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras, conforme dados em tempo real. Conforme a plataforma internacional IQAir, o índice de qualidade do ar chegou a 441 pontos por volta das 6h, classificado como “perigoso” devido à concentração elevada de partículas finas de poluição (PM2.5).
A concentração de PM2.5 alcançou 295,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³), valor 59,2 vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece a média anual máxima em 5 µg/m³. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também registrou níveis “péssimos” de qualidade do ar em diferentes pontos da cidade, incluindo o bairro Coroado, onde a concentração chegou a 457,7 µg/m³.
Impactos na população e alertas oficiais
Moradores de Manaus relataram nas redes sociais sintomas como cheiro forte de fumaça, ardência nos olhos e dificuldade para respirar. Alguns classificaram o episódio como o pior já vivido na cidade, com visibilidade comprometida pela densidade da fumaça. Críticas foram direcionadas à atuação das autoridades no enfrentamento da crise ambiental.
Em resposta, a Prefeitura de Manaus divulgou orientações para reduzir a exposição à fumaça, recomendando manter portas e janelas fechadas, hidratar-se adequadamente, usar máscara ao sair de casa e evitar atividades físicas ao ar livre. A administração municipal reforçou que provocar queimadas é crime e solicitou denúncias pelo telefone 153 ou pelo site oficial.
Posteriormente, por volta das 8h13, a Defesa Civil do Estado emitiu um alerta de risco severo devido à qualidade do ar.
Poluição afeta municípios do interior do Amazonas
Além da capital, o interior do Amazonas também enfrenta índices elevados de poluição atmosférica. Dados do Sistema Selva indicaram concentrações de partículas superiores a 700 µg/m³ em Urucurituba e Maués, e acima de 400 µg/m³ em cidades como Manaquiri, Itacoatiara e Iranduba, entre outras localidades monitoradas.
Esses níveis indicam que a poluição causada pela fumaça das queimadas é um problema grave e disseminado na região, exigindo atenção contínua das autoridades ambientais e sanitárias.