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Indústria russa de drones em Alabuga envolve tráfico humano e violações de direitos trabalhistas

Estudo revela uso de mão de obra forçada e jornadas exaustivas na fábrica que produz milhares de drones para a guerra na Ucrânia.

17/10/2026 às 05h22
Vista aérea do complexo de fabricação de drones de Alabuga, no Tartaristão (
Vista aérea do complexo de fabricação de drones de Alabuga, no Tartaristão (Foto: Reprodução/CSIS)

Desde 2022, com o início da invasão da Ucrânia, a Rússia disparou milhares de drones contra cidades e infraestruturas ucranianas, causando mortes e feridos entre civis e militares. A produção em larga escala desses veículos aéreos não tripulados (VANTs) acontece no complexo industrial de Alabuga, no Tartaristão, a cerca de 800 km da capital Moscou.

Um estudo conjunto do George W. Bush Institute e do Center for Strategic and International Studies (CSIS) detalha o funcionamento da fábrica localizada na zona econômica especial de Alabuga. O local cresceu rapidamente, operando cerca de 17 instalações e 116 edifícios, com capacidade para fabricar mais de 5,5 mil drones por mês.

A Rússia inicialmente recebeu do Irã drones Shahed completos, que serviram de base para fabricar versões próprias, conhecidas como “Gerans”. A cadeia produtiva envolve uma força de trabalho composta por jovens russos, trabalhadores estrangeiros e norte-coreanos, muitos deles recrutados sob falsas promessas ou coerção estatal.

Leia também: Ataques com drones no Mar Negro intensificam tensão entre Rússia e Otan

Força de trabalho e condições

Entre os jovens russos, destacam-se estudantes a partir de 15 anos recrutados pela faculdade politécnica do local para adquirir “experiência profissional”, submetidos a jornadas de até 12 horas, trabalho por cotas e ameaças para manter sigilo sobre suas atividades.

Trabalhadores estrangeiros, incluindo cerca de 200 pessoas de países da América do Sul — como Brasil, Colômbia, Equador e Venezuela —, chegam atraídos por ofertas em áreas como hospitalidade, mas são destinados à montagem de drones. Eles têm passaportes confiscados, custos de viagem e moradia deduzidos do salário, e circulação restrita.

O contingente mais numeroso é de até 12 mil trabalhadores norte-coreanos, enviados sob acordo estatal que retém entre 70% e 90% dos seus salários, os quais são usados para financiar o regime de Pyongyang. Esta mão de obra permanece sob forte vigilância e limitações de movimento.

Processo de recrutamento e exploração

O recrutamento acontece por meio de anúncios falsos e influenciadores que prometem salários atrativos e vagas em áreas como catering e hotelaria. Após testes e triagem via aplicativo Telegram, os candidatos passam por procedimentos que incluem autorização da Segurança Federal russa (FSB) e emissão de vistos.

Ao chegar em Alabuga, os trabalhadores são recebidos pela empresa, alojados em dormitórios restritos e submetidos a cursos obrigatórios da língua russa. As condições incluem descontar despesas do salário, multas por falhas e severas restrições à comunicação e circulação, além de dificuldades para enviar dinheiro a seus países devido às sanções bancárias.

Envolvimento internacional e violações

Além do Irã que forneceu o design original dos drones, e da Coreia do Norte que contribui com mão de obra, o estudo destaca a participação da China como fornecedora de componentes, facilitadora de pagamentos e rota de trânsito para produtos ocidentais utilizados na fabricação.

Essa rede de apoio permite a industrialização rápida da produção à sombra das sanções internacionais. A ONU alertou para a possibilidade de tráfico humano caracterizado no processo de recrutamento e exploração na fábrica de Alabuga.

A produção maciça desses drones para uso na guerra e o envolvimento de mãos de obra forçada exemplificam graves violações dos direitos humanos e trabalhistas no contexto do conflito entre Rússia e Ucrânia.

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