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Empresas

Montadoras chinesas fortalecem presença e busca por produção local no Salão do Automóvel de Paris 2026

Com mais de 20 marcas, fabricantes chineses reforçam parcerias na Europa e ampliam produção no continente.

16/10/2026 às 14h23  ·  Atualizado em 16/10/2026 às 14h24

No Salão do Automóvel de Paris 2026, realizado esta semana no centro de exposições Paris Expo Porte de Versailles, as montadoras chinesas consolidam sua atuação com a participação de mais de 20 marcas, evidenciando a presença crescente da China no setor automotivo europeu.

Presença marcante do evento, empresas como GAC e BYD estabeleceram parcerias relevantes na Europa: a primeira firmou convênio de patrocínio com o Chelsea FC, da primeira divisão inglesa, enquanto a segunda apoia o Paris Saint-Germain, associado ao time local. A Geely destacou um utilitário esportivo híbrido, com tecnologia elétrica e a gasolina, anunciado com o slogan “nascido para a Europa”.

Estratégia de produção local para evitar barreiras

Buscando contornar restrições comerciais e a retração do mercado doméstico, as montadoras chinesas focam na expansão da produção diretamente na Europa. A Xpeng, por exemplo, declarou a intenção de fabricar veículos localmente e de comercializar cerca de 500 mil unidades anuais na região até 2030. Seu cofundador, He Xiaopeng, afirmou que a empresa está aberta a compartilhar tecnologia com concorrentes europeus para aprofundar a colaboração.

Leia também: Montadoras europeias apostam em versões retrô elétricas para enfrentar concorrência chinesa na Europa

Além disso, fábricas na Espanha se destacam como polos para parcerias entre empresas chinesas e europeias, como a produção do carro elétrico B10 da Leapmotor em Zaragoza, em cooperação com a Stellantis. Geely colabora com a Ford em Valência, enquanto SAIC e Chery também têm planos e acordos para montar carros na Galícia e em Barcelona, respectivamente.

Impacto e resistência europeia

A venda de carros chineses na Europa cresceu significativamente, com a BYD duplicando suas entregas e outras marcas como Chery e Leapmotor também ampliando sua presença. Atualmente, veículos chineses correspondem a cerca de 10% dos automóveis vendidos no continente.

Apesar disso, autoridades europeias discutem medidas para limitar as importações, incluindo um acordo previsto com Pequim que poderá reduzir em 50% o volume de carros híbridos chineses exportados para a União Europeia nos próximos quatro anos. Também há propostas para privilegiar empresas europeias em financiamentos públicos.

O presidente francês Emmanuel Macron destacou no evento a gravidade da situação para as indústrias locais, classificando o momento como “vida ou morte”.

Perspectivas do setor

Embora haja resistência, especialistas indicam que restringir a oferta chinesa pode ser uma solução temporária diante do avanço das fabricantes que já investem em produção local. Para elas, persiste a possibilidade de ajustar preços e consolidar posições na Europa.

O Salão do Automóvel de Paris, que já reúne fabricantes tradicionais como Renault e esbarra na ausência da BMW, demonstra com a marca chinesa Zeekr — do grupo Geely — o papel disruptivo dessas empresas, que se movimentam com rapidez e como parte integrante do mercado europeu.

Assim, o evento evidencia a transição do setor automotivo europeu para um cenário em que fabricantes chineses deixam de ser novatos e transformam-se em competidores estratégicos, tanto em vendas quanto em produção local, com impactos significativos para a indústria, parcerias e políticas comerciais do continente.

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