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Rio de Janeiro

Irmãos policiais com histórico de prisão são detidos novamente pela PF na Operação Unha e Carne

Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes, já envolvidos em investigação por milícia, foram presos pela oitava vez durante operação que mira organização criminosa.

Por 15/10/2026 às 11h38
1 de 1 Cristiano Gaspar (ao centro) é o atual secretário de Ordem Urbana de Belford Roxo
1 de 1 Cristiano Gaspar (ao centro) é o atual secretário de Ordem Urbana de Belford Roxo — Foto: Divulgação

Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes foram presos nesta quinta-feira (15) durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Os irmãos são inspetores da Polícia Civil e têm história de envolvimento em investigações relacionadas a milícias no Rio de Janeiro.

Em 2011, ambos foram presos na Operação Guilhotina, que apurava corrupção policial e participação em organização criminosa. Na época, investigavam sua suposta atuação no desvio de armas apreendidas e ligação com milícias na Favela Roquete Pinto, em Ramos. A ação apontava que o grupo cobrava taxas de moradores e controlava serviços ilegais, como venda de gás e TV por assinatura, além de suspeitas de envolvimento em homicídios e ocultação de cadáver.

Christiano, atualmente secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo, foi expulso da polícia junto com o irmão, mas teve essa expulsão anulada em 2018 pelo então governador Luiz Fernando Pezão, decisão que gerou controvérsia pois contrariou pareceres da Corregedoria-Geral. O cancelamento da demissão reabilitou Christiano para funções públicas, culminando em sua nomeação para a prefeitura em 2024.

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Os irmãos são filhos do policial militar reformado Ricardo Afonso Fernandes, conhecido como Afonsinho, apontado pela Polícia Federal como um dos chefes da milícia que atuava em parceria com o ex-subchefe operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira. Essa liderança recebeu apoio dentro da corporação, inclusive do então chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, que foi demitido após denúncias de vazamento de informações sigilosas para o grupo.

Além dos irmãos Gaspar Fernandes, a operação apreendeu o deputado estadual Márcio Canella e o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim. A relação entre Christiano e Amim é antiga, tendo trabalhado juntos desde o pós-prisão, com Christiano frequentemente atuando como assessor nas delegacias e secretarias da Polícia Civil. Logo após a eleição de Canella para a Prefeitura de Belford Roxo em 2024, Christiano assumiu cargo público no município, estreitando o elo político com figuras implicadas na Operação Unha e Carne.

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