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Juros, risco fiscal e capital estrangeiro influenciam desempenho da Bolsa em 2026

Maiores altas e quedas recentes na Bolsa refletem perspectiva de juros, cenário fiscal e entrada de capital estrangeiro.

15/10/2026 às 11h20  ·  Atualizado em 15/10/2026 às 11h21

As recentes movimentações na Bolsa de Valores brasileira em 2026 têm sido marcadas pela forte influência das expectativas em torno das taxas de juros, do risco fiscal e da entrada de capital estrangeiro. Empresas ligadas ao consumo e às pequenas companhias de capital aberto, conhecidas como small caps, mostram grande sensibilidade a essas variáveis.

Logo após o primeiro turno das eleições, as ações do Magazine Luiza (MGLU3) tiveram alta de 24,18% no primeiro pregão de 5 de outubro, mas sofreram quedas subsequentes de 7,04% e 4,49% nos dias 13 e 14, refletindo a volatilidade causada pela recuperação das taxas de juros futuros. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028, por exemplo, subiu de 12,696% para 12,735% no dia 14, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 12,473% para 12,540% na mesma sessão.

O economista Rafael Perretti, da Clear Investimentos, destaca que a expectativa de cortes na taxa Selic contribuiu para a valorização recente, especialmente das small caps, porém alerta que essa situação pode se inverter caso as projeções para juros e contas públicas se deteriorem.

Leia também: Ações do Magazine Luiza e Casas Bahia registram fortes quedas em meio a alta dos juros

Como os juros futuros impactam as ações

Os contratos de DI na B3 refletem as projeções de juros futuros e incorporam prêmios de risco relacionados à inflação e fiscalidade. A diminuição dessas taxas costuma favorecer empresas que dependem de crédito e consumo, pois reduz o custo do financiamento e aumenta o valor presente dos fluxos de caixa futuros. No entanto, o aumento dos juros tem o efeito oposto, pressionando as avaliações no mercado.

Essa influência é mais pronunciada em companhias cíclicas, como varejistas e construtoras, e a reação dos preços das ações também depende do endividamento e das perspectivas específicas de cada empresa.

Mudanças nas projeções da Selic e seus efeitos

O Boletim Focus registrou uma revisão nas expectativas para a taxa Selic, de 13,75% para 13,25% ao ano até o final de 2026. A taxa básica do Banco Central atualmente está em 13,75%, o que indica um potencial corte acumulado de 0,50 ponto percentual. Embora isso sugira condições financeiras mais amenas, a inflação deve manter pressão, com o IPCA projetado para 5,22% em 2026.

Small caps apresentam potencial e volatilidade

Pequenas empresas negociadas na Bolsa têm mostrado valorização superior em relação ao índice Ibovespa. Na semana que seguiu ao primeiro turno das eleições, o Índice Small Caps subiu 20,14%, com destaque para Movida (MOVI3), Simpar (SIMH3) e JSL (JSLG3). Contudo, essas ações também sofreram correção recente, refletindo o impacto da alta dos juros e de realização de lucros.

Rafael Perretti pontua que esses papéis possuem maior volatilidade e são muito sensíveis às alterações das expectativas econômicas, recomendando cautela aos investidores.

Sensibilidade do Magazine Luiza às condições econômicas

O caso do Magazine Luiza ilustra como variações nas taxas de juros podem provocar oscilações significativas no preço das ações. Embora tenha acumulado valorização de 48,76% em 2025, chegou a ter queda de 67% em 2026. A recente alta foi impulsionada pela perspectiva de cortes nos juros, mas as recentes quedas indicam o impacto do reajuste nas expectativas financeiras.

Fluxo de capital estrangeiro

Dados da B3 mostram que investidores estrangeiros aportaram R$ 13,15 bilhões na Bolsa entre 5 e 9 de outubro, com R$ 10 bilhões ingressados somente no dia 5. Perretti avalia que esse volume reforça o apelo dos ativos brasileiros, dada a expectativa de juros menores e avaliação descontada em comparação a mercados externos.

Contudo, observa que parte dos investimentos pode ser trade de curto prazo, o que gera incerteza sobre a permanência desse capital no mercado.

Risco fiscal ainda é desafio

O economista ressalta que o risco fiscal permanece como um dos principais fatores que podem modificar o cenário atual. Uma piora nas contas públicas pode elevar juros futuros, reduzir espaço para cortes da Selic e afastar investidores, especialmente estrangeiros, pressionando ações mais vulneráveis.

Portanto, mesmo com o ambiente atual favorável, a continuidade da recuperação dependerá da evolução das expectativas para juros, capital estrangeiro e confiança fiscal.

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