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Mercados

Renda fixa se torna principal investimento dos mais ricos com alta dos juros no Brasil

Investidores privados aumentam alocação em renda fixa para quase metade de suas carteiras, enquanto varejo diminui participação na classe.

Da 15/10/2026 às 09h56

Com a elevação da taxa Selic para 14,25% ao ano em julho de 2026, os investidores mais ricos do Brasil aumentaram significativamente sua exposição à renda fixa, que passou a dominar suas carteiras. Segundo levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a participação da renda fixa nesses portfólios saltou de cerca de 21% em julho de 2021 para quase 46% em julho de 2026.

Esse movimento ocorreu em contraposição ao comportamento dos investidores do varejo tradicional e alta renda, cuja alocação em renda fixa diminuiu de 76,9% para 66,3% no mesmo período. Para os clientes private, investimentos considerados mais sofisticados, a renda fixa deixou de ser a terceira maior classe para se tornar a principal, com investimentos que mais que triplicaram e atingiram R$ 1,28 trilhão.

Impacto dos juros altos e ampliação de ofertas

De acordo com Luiz Henrique Carvalho, gerente de Distribuição da Anbima, a elevação da taxa básica de juros foi um fator determinante para essa mudança, atraindo recursos para aplicações tradicionais de renda fixa. Além disso, destaca ele, houve uma expansão na variedade de produtos disponíveis para esse público, especialmente na área de crédito privado.

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“As taxas foram o grande chamariz, mas vieram acompanhadas de uma ampliação importante da oferta”, explicou Carvalho, ressaltando que os clientes private passaram a ter acesso a mais emissores e formatos diferenciados dentro da renda fixa, o que tornou a classe mais rentável e diversificada.

Crescimento do patrimônio e novas preferências

O levantamento da Anbima também revelou que o patrimônio total dos clientes private alcançou R$ 2,8 trilhões em 2026, com cerca de R$ 86 de cada R$ 100 de crescimento do patrimônio vindo da renda fixa. A composição atual das carteiras desse grupo aponta que aproximadamente 46% dos recursos estão aplicados em renda fixa, 27% em renda variável (como ações), 16% em produtos híbridos, como fundos imobiliários e multimercados, e pouco mais de 10% em previdência.

Apesar da redução relativa, a renda variável não encolheu em valores absolutos, tendo aumentado 8,3% no período. Carvalho destacou que a renda variável mantém apelo entre clientes private devido ao perfil com menor aversão a riscos e que grande parte dos recursos desse público permanece investida no exterior, fora dos dados disponibilizados pela Anbima.

Fundos de renda fixa ganham destaque

Entre as modalidades de investimento, os fundos de renda fixa foram os que mais cresceram em volume para os mais ricos, com recursos aplicados que mais que quadruplicaram em cinco anos, alcançando R$ 350,6 bilhões, o que representa 12,5% da carteira.

As ações continuam sendo o segundo maior investimento, com quase 20% do total, seguidas pelos fundos multimercados, com 13,9%. Já a poupança praticamente desaparece nas carteiras desse público, figurando com apenas 0,2%.

Critérios de segmentação e fontes dos dados

O estudo abrange dados de 89 instituições financeiras. A definição de cliente private utilizada pela Anbima estabelece um valor mínimo de investimento de R$ 5 milhões desde 2023, uma elevação frente ao patamar de R$ 3 milhões adotado anteriormente. Já a segmentação entre varejo tradicional e alta renda varia conforme critérios internos de bancos e corretoras, podendo incluir diferentes faixas de rendimento ou aplicação mínima.

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