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Saúde

Papa Leão XIV tem câncer de pulmão e alerta para aumento da doença entre não fumantes

Câncer de pulmão diagnosticado em Papa Leão XIV destaca crescimento da doença entre mulheres, jovens e não fumantes.

Por 15/10/2026 às 02h31

O recente diagnóstico de câncer de pulmão do Papa Leão XIV, confirmado em 13 de outubro de 2026, trouxe à tona discussões sobre o perfil crescente de pacientes não fumantes acometidos pela doença. Paciente sem histórico de tabagismo, o Papa evidencia uma tendência que vem se alterando nos últimos 15 anos: aumento dos casos entre mulheres, pessoas jovens e aquelas que nunca fumaram.

Tradicionalmente associado a homens fumantes idosos, o câncer de pulmão hoje é a principal causa de morte por câncer entre mulheres, superando o câncer de mama, ovário e colorretal somados. Dados da American Lung Association revelam que, nos últimos 44 anos, as taxas entre mulheres subiram 79%, enquanto caíram 43% entre homens. Pela primeira vez, mais mulheres jovens do que homens nessa faixa etária são diagnosticadas com a doença.

Fatores de risco além do tabagismo

Apesar do tabagismo permanecer como o principal fator de risco, cerca de 20% das mulheres diagnosticadas nunca fumaram — porcentagem maior que a observada nos homens com a doença nessas condições. Além do fumo passivo, outros agentes ambientais e ocupacionais estão associados ao câncer de pulmão, como a exposição a amianto, radônio, poluentes do ar e substâncias químicas como arsênico, berílio, cádmio, sílica e níquel.

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Pesquisas recentes também destacam o papel da genética, com estudos identificando genes que podem aumentar a suscetibilidade ao câncer pulmonar em indivíduos com histórico familiar forte da doença. Embora mutações específicas ainda não tenham sido definidas, o avanço nessa área pode auxiliar na detecção precoce e no desenvolvimento de terapias direcionadas.

Desafios no diagnóstico e rastreamento

O câncer detectado em estágio inicial, como o do Papa Leão XIV, pode ser tratado cirurgicamente com possibilidade de cura tanto para fumantes quanto para não fumantes. Contudo, pessoas sem história de fumo não são hoje incluídas nas diretrizes regulares de rastreamento, o que contribui para que tumores sejam frequentemente diagnosticados incidentalmente ou em estágios avançados.

Em 2021, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos atualizou as recomendações para rastreamento, incluindo adultos entre 50 e 80 anos com histórico de tabagismo menor e mais jovens, ampliando em 40% o número de mulheres elegíveis. No entanto, ainda menos de 6% das fumantes elegíveis realizam o exame, número muito inferior ao índice de rastreamento do câncer de mama.

Sintomas e prognóstico

Os sintomas do câncer de pulmão, como tosse, falta de ar, fadiga intensa e dores no peito ou costas, podem ser confundidos com outras condições, especialmente em mulheres mais jovens, o que pode levar à demora no diagnóstico. Estudos indicam que mulheres possuem melhor prognóstico que homens, principalmente as não fumantes com tumores apresentando alterações moleculares tratáveis por terapias específicas e imunoterapias.

Reconhecer os sinais precoces, ampliar os critérios para exames de rastreamento e avançar na avaliação genética são medidas essenciais para enfrentar a crescente incidência da doença em mulheres e não fumantes, destacando a importância da conscientização e investigação detalhada para combater essa realidade emergente.

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